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O Nordeste está de olho no potencial do mercado atacadista de moda e entra na disputa de vitrine do segmento no País, junto do Pólo da Moda, instalado na região do Brás, na capital paulista, e com capacidade para receber até 500 ônibus de compradores, ao mesmo tempo. Em Fortaleza, no Ceará, um empreendimento que chama a atenção, o Maraponga Mart Moda, tem os mesmos moldes do centro de compras paulistano, e envolve atualmente, em uma área construída de 43 mil metros quadrados, 282 lojas físicas de 203 empresas atacadistas, todas da região.

Com a forte demanda, o espaço - que envolve ainda um shopping, área de alimentação com dois restaurantes refinados, lounge e passarela para desfiles, tudo acoplado a uma área hoteleira com 380 leitos - terá este ano mais 100 lojas, todas elas de empresas de outros estados, para tornar o empreendimento ainda mais competitivo.

De acordo com Manoel Holanda, fundador e proprietário do Maraponga, que tem área de estacionamento para 900 veículos, o perfil de unir diversos atacadistas a um espaço de hospedagem e que ofereça aos compradores clientes toda infra-estrutura de hospedagem e serviços para facilitar as compras é um diferencial que pode fazer do empreendimento um dos maiores do País.

Holanda garante ter criado o conceito na década de 90, depois de visitar alguns países na Europa e copiar o modelo de negócios de lá. O executivo é especializado na promoção de eventos e viu no segmento de confecções um excelente nicho, por isso acredita que adotar agora um conceito fashion e similar a eventos de grande porte como o Fashion Week, pode tornar o Maraponga uma das maiores vitrines do segmento atacadista, para atuar inclusive em nível nacional.

"Como a procura é grande, temos de ser criteriosos no centro de compras. A meta é ter 100 novas lojas até o final do ano, mas já negociamos 10, com empresários do Piauí. Agora vamos buscar marcas de estados como Goiás e do Norte do País, por exemplo. Queremos ser um centro de compras nacional, e também ampliar a presença dos produtos vendidos em Fortaleza, em outros países", declarou o fundador do mall atacadista.

Segundo o executivo, há lojas no Maraponga que já comercializam para países como Cabo Verde, Portugal e Estados Unidos. "Mas o foco das vendas ainda é mesmo o de abastecer o mercado interno", ressaltou Holanda, que guarda os números do centro de compras a sete chaves.

E-commerce

A venda a pronta entrega tem demonstrado força no comportamento do varejo brasileiro, e batido recordes de vendas, principalmente no ramo de beleza, com players como Avon e Natura. Na área de vestuário atacadista a pronta entrega não parece ser diferente, pois uma das empresas com lojas no empreendimento cearense é a Handara, especializada em coleções de jeans e modinha feminina, que atua no ramo de franquias.

A rede tem 30 lojas de atacado espalhadas pelo País, das quais apenas 10 são próprias, e sua maior concentração é no Ceará, aonde detém seis lojas - duas delas no Maraponga Mart Moda. Iran Melo, administrador da rede, comenta em entrevista exclusiva ao DCI que são produzidas cerca de 100 mil peças por mês e o tíquete médio das peças é de R$ 39,90. O executivo contou ainda que a empresa cresceu mais de 50% no ano passado, por conta de uma nova estratégia de vendas, em que as revendedoras podem trocar peças ou fazer novos pedidos a qualquer loja da marca, facilitando a logística de entrega dos produtos.

Este ano, a previsão é manter o ritmo de crescimento, por conta da adoção de novos canais, como o televendas, implementado há cerca de 40 dias. A expectativa é que essa área, junto das vendas pela Internet, que será iniciada em 2009, incremente 25% do faturamento, não revelado.

Especialistas do setor de confecções comentam que a empresa tem um giro anual em torno de R$ 48 milhões, mas, com 5.800 revendedoras ativas cadastradas, segundo a empresa, o número real deve ser bem maior.

Promoção

Para difundir os negócios do Maraponga Mart, a empresa criou há alguns anos uma série de desfiles de moda, nos moldes dos realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Este ano, o Festival da Moda em Fortaleza (FMF), como é conhecido, chega à sua 27ª edição, e traz o melhor da moda cearense em linguagens cada vez mais acessíveis, democratizando tendências. Este ano o evento, que acaba hoje, levanta a bandeira do Moda Para Todos e envolveu uma semana de desfiles de grandes marcas locais.

Ao todo, 11 grifes de Fortaleza realizam desfiles no espaço do Maraponga que envolve uma sala com capacidade para 1.200 pessoas sentadas, que permaneceu praticamente lotada todos os dias do evento.

Os desfiles, de acordo com empresários que têm lojas no empreendimento, chegam até a dobrar as vendas das marcas, e são realizados duas vezes por ano. Porém, com a demanda por novidades e a concorrência cada vez maior, as fabricas e atacadistas afirmam lançar modelos geralmente de 15 em 15 dias, para as áreas infantil, masculina, feminina e de acessórios.

O espaço do Maraponga, que contempla 43 mil metros quadros de área construída, ou seja, chega a surpreender e lembrar o Parque Anhembi, em São Paulo, envolveu na edição deste mês cerca de 300 modelos, e o evento teve repercussão em todo o Nordeste.

Entre as lojas que estão instaladas no mall, há marcas que têm unidades fora de Fortaleza e grande presença no mercado atacadista de São Paulo, como a rede de moda masculina Fascynios, além de Absolut, Apnéia, Famel e Chica Fulo.