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SÃO PAULO

A disputa pela concessão para operar com lojas isentas de taxas (free shops) no Aeroporto Internacional de Salvador demonstra a tendência do varejo aeroportuário em seguir como grande promessa nos próximos anos. Recentemente, a árabe Flemingo ganhou licitação contra a suíça Dufry, líder deste tipo de operação no País e cravou a entrada da empresa no mercado brasileiro.

Enquanto isso, o grupo espanhol World Duty Free Group (WDFG) atua em Belém (PA). Já as varejistas brasileiras Saraiva, Lupo e Dudalina aumentam ainda mais a pressão neste segmento.

De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), alguns aeroportos deverão registrar brigas acirradas por espaços. "Os aeroportos das cidades-sede da Copa estão entre os principais pontos de atração de negócios. Além deles, há outros terminais localizados em cidades como Florianópolis (PR), Goiânia (GO) e Foz do Iguaçu (PR) e que estão recebendo obras de expansão", afirmou a entidade em nota ao DCI.

Exemplo do aquecimento deste nicho é a entrada da Flemingo Brasil no mercado. Pertencente ao grupo árabe Flemingo International, a empresa pagará cerca de R$ 681 mil por mês para operar no Aeroporto Internacional de Salvador - aproximadamente cinco vezes mais do que os R$ 130 mil oferecidos pela concorrente Dufry - além de 27% do seu faturamento bruto mensal. Isso totaliza R$ 81,8 milhões em dez anos, duração do contrato. A licitação ainda não foi homologada.

A entrada da indiana reduz o domínio da suíça Dufry no País, que conta com mais de 30 lojas em 11 aeroportos. A empresa apresentou recurso com efeito suspensivo, alegando inabilidade da Flemingo.

Recentemente, o grupo espanhol World Duty Free Group (WDFG) também entrou no mercado brasileiro após vencer licitação, embora não tenha contado com a concorrência da Dufry. A companhia tem um contrato de dez anos para atuar no Aeroporto Internacional de Belém, no Pará.

Para o presidente da consultoria IB2G Airtport Consulting, Luiz Gustavo Fraxino, a vinda de estrangeiras deve ser ainda mais acentuada. "O setor aeroportuário está com os olhos voltados ao mercado brasileiro. Temos companhias de outros países vindo de forma muito agressiva ao Brasil."

Ele destaca que o aquecimento deste segmento ganhou forças com o início da privatização de alguns terminais aeroportuários. "Foi um divisor de águas", afirma. "Com a primeira rodada das privatizações de Brasília, Viracopos e Guarulhos, o interesse das empresas cresceu. Esses terminais passam a ser vistos como empresas que devem dar resultado."

Brasileiras de olho

Mesmo com o custo muito mais alto de lojas em aeroportos, o número de interessadas neste nicho vem aumentando. A rede de livrarias Saraiva abriu no mês passado sua primeira operação deste tipo, em Guarulhos.

Segundo afirma o diretor geral de operações da Saraiva, Pierre Berenstein, a companhia enxerga potencial neste nicho. "São uma excelente oportunidade de expansão do negócio, considerando o volume crescente de circulação de passageiros nos terminais de todo o País." A Saraiva atualmente está participando de licitações para os aeroportos de Manaus (AM) e Florianópolis (PR).

Além do maior gasto com aluguel (uma cafeteria dentro de um aeroporto no Rio de Janeiro paga mensalmente mais de R$ 1.900 pelo metro quadrado, por exemplo) uma loja dentro de um terminal aeroportuário é diferente de pontos de venda tradicionais. "A operação do Aeroporto de Guarulhos tem 235 metros quadrados, menor que outras unidades. Por isso, o mix de produtos é mais enxuto e diretamente relacionado ao perfil dos passageiros", aponta o diretor da Saraiva.

A marca de vestuário Lupo também se interessa por este mercado. Para a gerente de franquias da rede, Carolina Pires, "a lucratividade é um pouco menor percentualmente, mas o tráfego compensa, e a oportunidade para a difusão da marca é ímpar."

A companhia abriu uma loja no Aeroporto de Congonhas e prevê um crescimento no faturamento de 6% este ano ante 2012. "Se surgirem novas oportunidades interessantes em outros aeroportos, podemos participar", conclui Carolina.

Já mais consolidada nesse ramo, a marca de vestuário Dudalina possui oito lojas em aeroportos brasileiros, nicho que ocupa há dez anos. Em entrevista ao DCI, o diretor de varejo Rui Hess de Souza destaca que esse ambiente colabora com as vendas. "Parte de nosso público-alvo são executivos, sem tempo ocioso durante a semana, mas que podem comprar camisas no tempo que ficam no aeroporto. O aluguel pode ser o dobro de uma operação de shopping center, mas conseguimos converter esse custo em faturamento."

A Dudalina projeta um crescimento entre 25% e 27% no faturamento deste ano, e prepara novas inaugurações. "Abriremos até o fim do ano lojas no aeroporto de Natal (RN), Belém (PA) e, dependendo das obras do terminal, em Manaus (AM)", destaca Hess.