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SÃO PAULO - Em apenas quatro anos, o drive-thru de produtos de padaria Pão to Go já levou seu modelo de negócio para os Estados Unidos e a Europa e agora se prepara para atingir mais mercados internacionais. Atuando no mercado de franquias desde 2013, mesmo ano de sua fundação, a rede tem hoje 17 lojas no Brasil, uma em Miami (EUA) e outra Vila Nova de Gaia (Portugal). E está em conversas para chegar ao Paraguai, Colômbia, Argentina e Rússia.



"Nada a gente foi atrás, eles vieram atrás da gente pelo modelo de negócio, tanto o pessoal de Portugal quanto da Flórida", afirma o diretor e fundador da Pão to Go, Tom Ricetti. Segundo ele, desde o começo, em São Carlos (SP), a panificadora já sabia que respondia a uma demanda global, mas não esperava crescer de forma tão rápida no mercado internacional. "Foi a procura dos interessados que nos fez tocar o plano internacional", conta.  



A internacionalização, segundo Ricetti, acabou sendo impulsionada pelos cenários de recessão econômica no Brasil e na Argentina. A franquia aberta em Portugal, por exemplo, foi levada por um brasileiro de Salvador (BA) que decidiu morar fora por conta da recessão. "Em 2015 e 2016, muitos brasileiros começaram a sair do País. E comprar pão, café e queijo dentro do carro, no caminho para casa, é uma necessidade em vários países, não só no Brasil. Foi nesse momento que vimos a oportunidade", diz.



A franquia de Miami, conta, foi aberta por argentinos que, para fugir da crise em seu país, se mudaram para Flórida.



Depois do primeiro contato pela internet, a Pão to Go conversa com os interessados e estuda a viabilidade de implantação no exterior. "A gente contrata um consultor especializado em franchising no mercado local para dar assessoria em desenvolvimento, achar fornecedor, entre outras coisas", afirma. Apesar de no Brasil ter lojas em vários formatos, como quiosque, boutique e conveniência, no exterior a panificadora optou por utilizar só o modelo drive-thru.



No exterior, outro aspecto considerado é adaptar os produtos ao mercado local. Para Ricetti, atender o público de cada lugar significa fornecer produtos diferentes dos encontrados no Brasil. "O consumo nos EUA é muito diferente, com o bagel e o cereal matinal. A procura de produtos é diferente." A solução tem sido promover um "intercâmbio" de produtos, levando itens nacionais para o exterior e vice-versa, sempre avaliando qual tem melhor aceitação.



Com fluxo médio de 250 clientes por dia em cada loja, a Pão to Go faturou R$ 6,5 milhões em 2016. Com os planos de internacionalização, a empresa quer ampliar o número de lojas em 50% neste ano, com a implantação de mais 10 franquias, e elevar o faturamento em 65%, para chegar a R$ 10 milhões.