Publicado em

Brasília - O pirarucu, peixe tradicional da Amazônia, ganha espaço na alta gastronomia brasileira. Em restaurantes como Figueira Rubaiyat e Espaço Tambiú, a iguaria já faz parte do cardápio. Agora, o desafio dos produtores é se aproximar de grandes chefs de cozinha, para ampliar os canais de vendas.

Com receitas variadas, que envolvem iguarias sofisticadas e receitas elaboradas, os pratos são assinados por chefs como Dedê Cesco. Com a boa aceitação entre os restaurantes de alto padrão de São Paulo, os produtores de pirarucu apostam no avanço do prato em outras regiões e investem na aproximação dos grandes chefs brasileiros para conquistar esse espaço.

Típico da Amazônia, o pirarucu é um peixe sem espinha, de carne branca e que rende pratos diferenciados, como os que foram criados e servidos por chefs de estados do Norte na Mostra Gastronômica do Pirarucu da Amazônia, que aconteceu semana passada em Palmas (TO).

O evento fez parte do Workshop Pirarucu da Amazônia, feito pela Unidade de Agronegócios do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pela unidade de Pesca e Aquicultura da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Queremos que o Brasil conheça e consuma o pirarucu", diz Newman Costa, analista da Unidade de Agronegócios que coordena o projeto do Sebrae.

O principal objetivo do projeto é disseminar a produção e o consumo do pirarucu cultivado. Antes de experiências iniciadas nesta década, a carne de pirarucu era encontrada apenas em forma de mantas salgadas nos mercados populares de cidades da Região Norte, a exemplo da feira do Ver-o-Peso em Belém do Pará.

Hoje, a espécie pode chegar sem sal à geladeira do consumidor ou aos frigoríficos dos restaurantes. O esforço vem sendo realizado pelo Projeto Estruturante Pirarucu da Amazônia, que capacita produtores para dominarem as técnicas de reprodução, alimentação e manejo da espécie.

Delícias variadas

Sob a orientação do consultor gastronômico Vico Crocco, chefs de cozinha do Acre, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins criaram pratos variados com o pirarucu em destaque.

A surpresa ficou por conta do especialista em hambúrgueres Artur Bestene (PA), que preparou 'Piraburguer'.

O chef Fernando Von Noble (RO) elaborou os Squares de Pirarucu, uma espécie de bruschetta coberta com a carne nobre do peixe; enquanto Jaire de Oliveira (AC) marinou o produto para o seu escabeche à brasileira. Prato originalmente preparado com bacalhau, a brandade também ganhou versão nacional com pirarucu e um molho de tucupi reduzido e caramelado pelas mãos da chef Socorro Azevedo (AP).

De Tocantins, Expedito Melo fez o pirarucu à portuguesa, com camadas de peixe, feijão e farofa de ervas. Prato típico do Peru, o ceviche de Milton Braga (AM) contava com jambu e pirarucu marinado em limão.

Já Dona Kalu (RR) acompanhou o peixe com molho de castanha do Brasil e uma farofa amanteigada. Para finalizar, o coordenador do jantar Vico Crocco brindou a todos com o refrescante sorvete de cajá, com farofa de castanha.

O workshop em Palmas foi realizado pelo Sebrae para apresentar a técnicos e produtores os resultados obtidos com pesquisas sobre a criação e comercialização do pirarucu em território nacional. A próxima etapa agora é concluir outros estudos, disponibilizá-los ao público e investir em estratégias de marketing que possibilitem colocar na mesa do brasileiro o pirarucu.