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A Casas Pernambucanas deu início a um ousado projeto de reestruturação da rede, que se estenderá até 2008, ano no qual a empresa completa 100 anos de atividades no Brasil. As mudanças, que começaram pela renovação da diretoria, visam reformas imediatas de lojas e expansão de pontos-de-venda a partir de 2005. "Queremos preparar a companhia para o século XXI", disse ontem o superintendente Marcelo Silva, durante a reinauguração da Pernambucanas situada no ABC Plaza Shopping , na cidade de Santo André, Grande São Paulo.Com as modificações previstas para os próximos cinco anos, a rede quer conquistar mais consumidores, sobretudo o público jovem, aumentando assim a lucratividade da marca.O novo conceito das lojas Pernambucanas é dotado de layout moderno, ampliação de sortimentos, além de iluminação e comunicação visual mais dinâmicas. A primeira unidade a passar este ano pela reestruturação foi a de Pereira Barreto, na região oeste de São Paulo.A loja do ABC Plaza, reaberta ontem ao público depois de seis dias passando pelas reformas, conta com 53 funcionários e uma área total de 2 mil metros quadrados. Até dezembro, outras três lojas, de rua, vão receber o novo formato: Penha, na zona leste paulista e as unidades de Bauru (interior de São Paulo) e Toledo (Paraná).A Casas Pernambucanas reúne 238 estabelecimentos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, sendo que 16 são dentro de shoppings. Segundo Marcelo Silva, a companhia tem planos de expandir a rede, mas isso só deve acontecer daqui a dois anos. "Queremos intensificar os negócios em nossas áreas de atuação e ganhar novos mercados", revelou o executivo. De acordo com o superintendente, a empresa está cautelosa quanto à expectativa de crescimento para este ano. Sem revelar valores de investimentos, ele ainda não sabe se outras lojas localizadas no interior de shoppings centers vão passar pelo mesmo processo de mudança. "No ABC Plaza estamos fazendo uma espécie de projeto-piloto, para que possamos avaliar a iniciativa ", ponderou.Uma das preocupações da companhia é quanto à necessidade de investir no treinamento dos 9.900 funcionários, que precisam estar afinados com o novo posicionamento da empresa.Também a logística tem sido uma preocupação constante. A companhia tem realizado uma série de melhorias para modernizar os processos de estocagem e distribuição das mercadorias.Em 2002, a Pernambucanas cresceu em relação ao ano anterior, obtendo receita bruta de 1,2 bilhão, contra a soma de R$ 1,1 bilhão atingida em 2001. Já o lucro líquido no ano passado chegou a R$ 17,5 milhões, sendo que em 2001 foi de R$ 10,4 milhões.Considerada uma das maiores lojas de departamento do País, a rede atua no varejo há 95 anos e dispõe de 5 mil fornecedores ativos. A cada ano tem aumentando o seu mix de produtos. Agora já soma 8 mil itens nas categorias de vestuário, cama e mesa, e eletroeletrônicos.Segundo pesquisa realizada pela Revista Conjuntura Econômica em agosto do ano passado, a Casas Pernambucanas figura entre as 500 maiores empresas de sociedade anônima do Brasil.Durante mais de cinco décadas os herdeiros do falecido Herman Lundgren, fundador da empresa, brigaram pelo direito de exploração da marca. A rixa resultou na delimitação de territórios exclusivos para a atuação dos membros da família, o que ocasionou dívidas e fechamento de lojas.Resolvido o impasse, agora o grupo quer recuperar as perdas acumuladas em anos de conflitos familiares e avançar novamente no mercado.