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São Paulo - O segmento de vendas por meio de máquinas automatizadas caminha em passos lentos no Brasil. Apesar de muito populares em países como Japão, EUA e Alemanha, o varejo brasileiro ainda não abraçou o canal de compra e a expansão do setor encontrou ainda mais um entrave: a dependência do produto importado e o impacto da crise econômica.

Para efeito de comparação, enquanto os norte-americanos possuem uma vending machine para cada 90 habitantes, por aqui a proporção é de 2,5 mil pessoas para cada equipamento (veja gráfico acima), o que na visão de empresários ouvidos pelo DCI, pode significar uma infinidade de oportunidades de negócio.

A Associação Brasileira de Vending Machines (ABVA), por exemplo, estima que o mercado brasileiro opere 45 mil máquinas do tipo, gerando um faturamento anual aproximado de R$ 250 milhões. "O mercado vem experimentando um volume crescente de oportunidades de negócios e demandas", avalia.

Há dois anos, a varejista de acessórios para celular e smartphones i2Go decidiu investir no segmento. Para isso, a companhia inaugurou uma vending machine com fones de ouvido, carregadores e outros acessórios no aeroporto de Campinas (Viracopos). A ideia deu certo. Porém, com a chegada da crise, a empresa teve de segurar novos investimentos do tipo. "Observamos essa oportunidade na época, mas com o início da recessão, e o menor consumo, os novos investimentos em máquinas do tipo ficaram de lado. Agora, com a melhora do cenário, estamos retomando o foco nas máquinas", diz um dos fundadores da i2Go, Marcelo Castro.

Hoje com 12 aparelhos instalados em estações de metrô, aeroportos e rodoviárias, a empresa prevê a instalação de outros dois equipamentos até o final deste ano. "As vendas estão melhorando e por vezes aumentam por conta de alguma sazonalidade. Mas estamos contentes com a operação".

Além das máquinas, a empresa possui outros 5 mil pontos de atendimento, entre lojas e quiosques. Com isso, Castro, prevê que I2Go dobre de tamanho e passe a marca dos R$ 24 milhões faturados este ano.

Franquias

Já a Mr. Kids, que desenvolve aparelhos com foco no consumidor infantil, decidiu abrir o negócio ao modelo de franchising há quatro anos. Hoje, ela é composta por 130 franqueados, que disponibilizam a vending machine com brinquedos em espaços como supermercados, sorveterias, lanchonetes e shoppings. "O investimento é baixo e isso atrai os empreendedores, principalmente neste momento. Entre R$ 1,5 mil e R$ 9 mil, você disponibiliza uma máquina para vender estes brinquedos, que custam bem barato. Assim, atrai cliente de todo o tipo", explica o presidente e fundador da Mr. Kids, Antonio Chiarizzi Jr.

Na visão do executivo, as vendas estão atravessando um momento de recuperação, já que no primeiro semestre o movimento foi considerado fraco. A aproximação com o Dia das Crianças também anima Chiarizzi. "Até o final do ano, devemos ter um crescimento entre 20% a 40%. O Dia da Criança é uma data bastante importante nesse objetivo", finaliza.

O executivo também explica que um dos desafios é a dependência da importação, tanto dos produtos quanto das máquinas, mas que isso no caso dos equipamentos, já está sendo contornado. "Recentemente, testamos uma nova máquina chinesa que agregou qualidade, o que antes faltava nas máquinas deles. Como o preço é menor e a qualidade é boa, importamos unidades do tipo para teste e gostamos".