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São Paulo - Depois da primeira tentativa, frustrada, de vingar no Brasil, a Hooters local trocou de dono, mudou sua arquitetura de negócios e aposta em recursos e sangue novo para chegar a 16 restaurantes no Brasil até 2014, a maioria em cidades-sede da Copa. Como a única unidade em São Paulo é a terceira Hooters que mais fatura no mundo, atrás apenas das de Tóquio e Cingapura, se atingir o objetivo, a empresa projeta faturar R$ 100 milhões por ano.

A expectativa é atingir receita de R$ 20 milhões e abrir mais dois restaurantes até o final de 2011. Hoje, o único estabelecimento no País fica em São Paulo, no bairro de Vila Olímpia. A unidade vinga R$ 750 mil ao mês de receita. O caminho escolhido pela companhia para crescer por aqui é o da figura do general manager, um tipo específico de franquia. Nele, o sócio-proprietário tem de ser também o operador diário da loja - ou seja, terá de tocar o dia a dia do negócio. Além disso, o franqueado precisará investir R$ 500 mil na abertura da casa. Em troca, receberá um pró-labore fixo mais 10% do resultado líquido total do empreendimento. Também há a possibilidade de bonificações por resultados.

O tempo previsto para que o general manager tenha o retorno de seu investimento é de 24 meses após a inauguração do restaurante. Na capital, a empresa priorizará pontos nas regiões da Av. Paulista e de Moema. Alphaville, em Barueri, também está na mira, além das cidades de Campinas e Ribeirão Preto. O tíquete médio da loja é, no almoço e no happy hour, de R$ 40, e no jantar, de R$ 60. "Na escolha de nossos sócios, levaremos mais em conta a força de vontade da pessoa em fazer da loja um sucesso e sua experiência no ramo de restaurantes", explica o CEO da Hooters Brasil, Marcel Gholmieh. Além disto, terá preferência o candidato que possuir um ponto comercial previamente estudado.

"Se o sócio-proprietário não puder ser o general manager da loja, vamos estudar com bastante cuidado o que fazer. Ele terá de escolher um responsável que já tenha atuado como gerente de restaurante, com experiência comprovada. Mas só usaremos este modelo em casos em que o franqueador tiver uma importância estratégica no negócio", enfatiza Gholmieh.

Tanta precaução tem seus motivos. A companhia teve um começo ruim no Brasil. Sua primeira loja por aqui surgiu em 2002, no bairro paulistano de Santo Amaro, sob um outro proprietário. Não deu certo. Mal localizada e desconhecida do consumidor local, esta unidade Hooters fechou em abril do ano passado. Também chegou a existir no período uma franquia da rede em Brasília, que também fechou. Gholmieh assumiu a empresa depois disto e, em novembro de 2010 reabriu-a no País, com uma loja na Vila Olímpia, também em São Paulo. "Nosso investimento até agora foi para abrir o novo restaurante, no valor de R$ 2 milhões. Neste ano o valor que vamos aplicar vai depender de quantas lojas inauguraremos; a média de gasto para a abertura de cada uma é também de R$ 2 milhões. Afora isto, estamos gastando mais R$ 1 milhão para montar nosso novo escritório central, marketing etc." O dinheiro veio de recursos próprios e de créditos do BNDES. Por enquanto, a operação local da companhia representa só 0,5% d e seus resultados globais, mas as perspectivas são boas.

Provavelmente não será difícil a Hooters, bem administrada, ficar conhecida no Brasil. Afinal, a rede tem um chamariz poderoso nas Hooters Girls, as famosas garçonetes de seus restaurantes, todas bonitas e usando sempre shorts justos e camisetas regata. O curioso é que este uniforme sofreu uma adaptação por aqui: o comprimento dos shorts cresceu alguns centímetros, para combinar melhor com a anatomia da mulher brasileira. Não foi a única mudança: a Hooters do Brasil alterou 30% do cardápio visando a adaptar-se ao paladar local. Até caipirinha será servida nas lojas nacionais da rede. Mas não faltarão as famosas chicken wings (asas de frango crocantes), marca registrada das lanchonetes Hooters em todo o planeta.

Otimismo

Gholmieh crê que o melhor ainda está por vir no food service brasileiro. "Acreditamos no crescimento do setor no presente, mas principalmente no futuro. Com o aumento do turismo, da vinda de visitantes ao País e do número de brasileiros que se alimentam fora de casa, este setor vai se expandir cada vez mais." O que não quer dizer que não haja problemas: "Nossas leis trabalhistas são muito duras. Nos EUA consegue-se facilmente desenhar um budget [orçamento] flexível para os funcionários com muito mais acerto. No Brasil sofremos muito para conseguir flexibilizar um budget na parte de mão de obra, nosso custo acaba se tornando fixo. E há os impostos locais, demasiadamente pesados". "Em breve vamos acompanhar IPOs de grupos nacionais de food service com mais frequência."

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