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São Paulo - O desaquecimento econômico parece não afetar as empresas que atuam no varejo de material de construção e de artigos elétricos. Com a inserção de novas categorias nas lojas e com vendas pela internet, os principais home centers do País projetam crescer acima da média do mercado, projetada em 6% este ano.

"Nos surpreendemos com o movimento de janeiro e de março", afirmou ao DCI o diretor-geral da Leroy Merlin Brasil, Alain Ryckeboer.

Uma das estratégias da rede está na negociação com seus fornecedores, evitando rupturas e garantindo preços melhores ao consumidor.

"As indústrias reclamam que o fluxo de pedidos caiu, mas muitas não conseguem entregar os pedidos que fazemos em sua totalidade. Hoje, 15% das mercadorias que compramos não são entregues", reclamou Ryckeboer.Para evitar a falta de opções nos pontos de venda, a Leroy Merlin está revendo a cadeia fornecedora. "Temos bons parceiros que entregam o volume que pedimos. Os que não entregam, nós substituímos", disse ele.

Outra estratégia da varejista francesa foi ampliar o canal de vendas, medida essa anunciada em dezembro e que aumentou a linha de decoração com a venda de cozinhas planejadas. "Conseguimos vender armários de cozinhas bem abaixo do mercado e o resultado tem sido muito bom. Agora estamos ampliando para a linha de closets", afirmou. Ao que completou: "essas duas novas categorias já estão implantadas em dois terços das lojas". Outro ponto destacado pelo executivo foi que a crise na construção civil ajuda a ampliar as vendas das varejistas. "O consumidor vai viajar menos ao exterior por conta do dólar. Assim, vai investir na melhoria da casa, ao invés de trocar de imóvel", acredita.

Concorrente

Na Telhanorte, a abertura de novas lojas e a criação de um sistema de compra pela internet, com retirada na loja, deverá ajudar o player a crescer este ano. "O plano de expansão consiste na abertura de quatro ou cinco lojas na região Sudeste do País e na implantação de operações cruzadas como o Click and Collect. Este consiste na compra virtual e retirada na loja física para os estados de Minas Gerais e Paraná", disse o diretor de compras e marketing da varejista, Juliano Ohta.

No ano passado, a varejista apresentou crescimento de 8%. Para este ano, a meta é similar. "Após recuo em 2014, a indústria de materiais de construção deve voltar a crescer acima da inflação em 2015, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). O crescimento se apoia sobretudo no varejo, que segundo projeção da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), pode registrar crescimento real de até 6% neste ano", disse ele.

Desempenho

Com a perspectiva de crescer 10% em 2015, a Santil, especializada em material elétrico segue otimista. Segundo a diretora financeira da rede, Karina Jorge Bassani, o atendimento diferenciado e as vendas on-line serão os responsáveis pelo bom desempenho da empresa.

"A porcentagem é menor que 2014, mas estamos muito otimistas e se houver melhora na conjuntura econômica podemos rever para cima nosso crescimento", disse a executiva, exclusivamente ao DCI.

Em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado, a empresa ampliou as vendas em 15%. "Em fevereiro, o nosso faturamento se manteve, mesmo com o feriado de carnaval", apontou a executiva da Santil. A diretora financeira explicou ainda que a operação on-line - lançada em 2014 -, tem trazido bons resultados em termos de aumento nas vendas. "A projeção é que o site tenha desempenho de 37% a 40% maior que no ano passado", contabilizou Karina.

Outro ponto ressaltado pela diretora financeira foi que a capital de São Paulo ainda tem muito a oferecer em termos de vendas para a rede. "Tem muito mercado a ser explorado."

O setor de construção civil também pode ajudar no desempenho da Santil este ano. "Temos um bom relacionamento com as construtoras que estão entregando empreendimentos e lançando novos, além de consumidores que estão investindo em melhorias em suas residências", concluiu.