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SÃO PAULO TRANCOSO - A gangorra vista nas ações das bolsas de valores mundiais e o arrepio na espinha de pensar em uma redução brutal dos negócios não fazem, ainda, parte do cenário do setor de shopping centers, que, para estimular as vendas de final de ano aos lojistas, começam a antecipar as inaugurações da decoração de Natal, o que costuma atrair mais movimento para os centros de compras e gerar, além de maior fluxo de consumidores, interesse pelas compras.

Segundo a Cipolatti, empresa líder no segmento de decoração de imóveis no País, o ano está aquecido para seus negócios, tanto que ela está fazendo a decoração de mais de 100 shoppings. A cada ano, a Cipolatti diz que tem antecipado em cerca de uma semana a decoração, com o intuito de aumentar as vendas. Um de seus clientes, o Shopping Interlagos (que pertencia ao grupo São Marcos Empreendimentos, vendido recentemente ao Ancar Invanhoe e ao Grupo Savoy, com 50% cada um), por exemplo, espera alta de até 10% nas vendas em relação ao ano passado.

De acordo com a superintendente do shopping, Carla Bordon Gomes, a crise ainda não deve chegar aos shoppings neste Natal. No Interlagos, localizado na zona sul de São Paulo, as expectativas de faturamento não foram revistas, pois a diretora acredita que seria prematuro. A empresa deve, a partir de 25 de outubro, inaugurar sua decoração de Natal, e espera um incremento de fluxo de consumidores de 12%, e de 10% nas vendas, em relação ao Natal do ano passado.

Para a executiva, um bom indicador é que tiveram um ótimo Dia da Criança. Além disso, ela acredita que os consumidores planejam as compras para o período, que é a data mais importante do ano para o varejo, e não devem deixar de comprar. Aliado à decoração, que estimula o público, o centro de compras investe em campanhas de marketing e em ações promocionais, com um programa de relacionamento com os clientes que oferece prêmios, além de estar preparando um concurso, que dará três carros aos ganhadores.

Outro também interessado em antecipar as vendas de Natal é o Shopping Taboão, do Grupo Aliansce, instalado na Grande São Paulo. As vendas têm crescido cerca de 20% no período, e este ano, devido também a uma nova ala que foi inaugurada em abril no shopping e que somou mais 50 lojas, o crescimento deve ser de 50% em relação ao Natal do ano passado. O fluxo de consumidores também deve crescer e ficar cerca de 20% maior.

Em função, disso, segundo o gerente de Marketing do shopping, Carlos Santos, o investimento para a data, incluindo campanhas, mídia e sorteio de carros, está dobrado em relação ao do ano passado: só em decoração o valor investido está mais de 100% maior. "Não temos dúvida de que o Natal será bom, estamos otimistas. Se a crise tiver algum impacto, será no ano que vem, e isso se ela continuar e afetar o nível de emprego da população, por exemplo", afirma.

No Shopping Via Parque, localizado no Rio de Janeiro e também da Aliansce, a estratégia já passou a ser inaugurar a decoração no final de outubro para atrair um público maior, e é esperada uma alta de 12% a 15% nas vendas nominais em comparação com o mesmo período do ano passado, número que também é estimulado pela revitalização e inauguração de algumas lojas no centro de compras recentemente.

De acordo com o superintendente do shopping, Amaury Veras, sem a crise as vendas poderiam até chegar a ser 17% mais altas, mas continuam muito otimistas. Para o executivo, o impacto poderá vir a médio prazo, o aumento da renda e do nível de emprego da população ocorridos esse ano ainda devem compensar e assegurar o final do ano.

Mesmo em compras que poderiam sofrer com uma restrição de crédito, como eletrodomésticos e itens de valor mais alto, que costumam ser parcelados, não deverá ser sentida uma grande redução no consumo. "Isso deve afetar mais o segmento de carros e imobiliário, acredito que esse Natal ainda deve ser de eletroeletrônicos e informática, com celulares 3G, TVs de LCD, que devem ter preços mais acessíveis. Além disso, o consumidor costuma ver se a parcela do produto cabe no seu bolso", explica. Ele também afirma que os lojistas dizem já estar preparados e já terem feito encomendas, mas não haveria risco de sobrar estoque.

O Maxxi Shopping Jundiaí, no interior de São Paulo, também mantém boas expectativas para o final do ano, já que acredita que as vendas possam crescer 12% frente às do Natal do ano passado, enquanto o movimento deve ficar 15% maior. A decoração do lado de fora do shopping, com grande iluminação, deve ficar exposta a partir de 24 de outubro.

Decorações

Para a Cipolatti, de decoração natalina, os shoppings têm investido no período e, cada vez mais, procuram adiantar a decoração para ter impacto nas vendas. "A cada ano eles antecipam uma semana. Daqui a pouco, em agosto teremos shoppings decorados para o Natal", estima Ana Cecília Cipolatti, diretora de Marketing. Segundo ela, a montagem da sua primeira decoração deve ser inaugurada dia 24 deste mês, em um shopping da zona leste de São Paulo.

Ana afirma que os malls fecham com a Cipolatti no começo do ano e que alguns já estão procurando a empresa para o Natal do ano que vem - e a procura diminuiu com a crise. A diretora acredita que não terá seus negócios prejudicados, já que se trata da data mais importante para o varejo e os centros de compras não deixariam de fazer decoração. "Estamos crescendo em torno de 10% por ano", estima.

O setor de shopping centers vai antecipar as inaugurações da decoração de Natal a partir do final deste mês, segundo a Cipolatti, líder no segmento de decoração de imóveis no País, que está fazendo a decoração de mais de 100 shoppings.

O Interlagos, instalado na capital paulista, espera alta de até 10% nas vendas de final de ano, em relação a igual período de 2007, e a partir do dia 25 deste mês inaugura sua decoração de Natal, para atrair fluxo. Outros que antecipam o visual são o carioca Via Park e o Maxxi, de Jundiaí, no interior paulista.