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SÃO PAULO - O mercado de suplementos alimentares no Brasil tem registrado crescimento anual superior a 25% nos últimos cinco anos, frente a um incremento de apenas 5% no mercado norte-americano. A procura por melhor qualidade de vida associada à alimentação saudável tem impulsionado o segmento, que no último ano movimentou mais de R$ 1,5 bilhão no País, informou a consultoria Nielsen.



Há quem gaste boa parte do salário nesses produtos, tanto que a Sport Nutrition Center (SNC), no mercado há mais de 20 anos, comemora negócios aquecidos. No ano passado, a empresa cresceu 39% e faturou R$ 138 milhões. Para este ano, a expectativa é crescer pelo menos 25%, como informou o diretor da SNC, Fábio Ramos. "No Brasil temos um potencial de crescimento gigantesco, já que apenas 7% da população consome algum tipo de suplemento. Esse é um nicho que deve seguir o mesmo caminho do mercado de cosméticos, que no passado era muito pequeno e hoje domina o setor de beleza", disse ele.



Apesar do otimismo, analistas veem o segmento com mais cautela. "Diante do fraco desempenho da economia brasileira e recentes acontecimentos de denúncias envolvendo empresas do setor, prevejo um crescimento menor para o ramo em 2014, algo na casa dos 14%", afirmou Marcelo Bella, que assumirá a presidência da Associação Brasileira das Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri) este mês.



De acordo com ele, irregularidades levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a intensificar a fiscalização no setor, o que gerou um aumento no consumo de suplementos importados. "A chegada de produtos estrangeiros deixou a agência mais atenta em relação à fiscalização dessas marcas, o que eu considero um ganho para a população no que diz respeito à segurança sanitária. Atualmente 60% dos produtos são nacionais e 40% importados", finalizou.



Para o diretor da consultoria Vecchi Ancona, Paulo Ancona Lopez, o mercado está em fase de expansão e transformação, já que os itens deixaram de ser consumidos apenas por frequentadores de academias. "Essa é uma categoria que começou de uma forma não muito bem direcionada no País, um pouco deturpada pelas academias. Hoje, ela concorre diretamente com o seguimento de alimentação saudável".



Rede de franquia



Presente em pelo menos 22 estados brasileiros, a rede Sport Nutrition Center (SNC) soma 139 lojas, sendo que 40% estão localizadas em shoppings e 60% em lojas de rua. "A concorrência é muito alta no mercado, mas somos dez vezes maiores que o nosso principal concorrente. Isso porque investimos muito em marcas próprias, que hoje representam 25% do faturamento". Com 24 novos contratos fechados, pelo menos 15 unidades devem ser abertas até o final do ano.



De acordo com Fábio Ramos, a principal dificuldade da empresa é combater o crescimento da pirataria no País. "Registramos a chegada de muitos itens falsificados vindos do Uruguai, China e Romênia. De certa forma eles afetam o nosso negócio e temos medo que aumentem". O tíquete médio da companhia fica em R$ 141, podendo chegar a R$ 250 nos shopping centers de alto padrão.



Negócio global



Outra companhia que também está de olho em novas tendências e no crescimento do mercado é a Herbalife. Conhecida pelos shakes de controle de peso, a marca criou no ano passado sua primeira linha voltada para atletas e esportistas. "A empresa está se reinventando, já que não queremos apenas auxiliar nossos consumidores na perda de peso e sim incentivar a pratica de exercícios físicos e vida saudável", afirmou o diretor sênior de vendas e eventos da Herbalife, Jordan Rivetto.



Ao todo, são quatro itens que compõem a linha 24 Hours (Hydrate, Prolong, Rebuild Endurance e Rebuild Strenght), que suplementam as necessidades energéticas, protéicas e previnem a desidratação. "Criamos os produtos pensando em diferentes segmentos. Nos Estados Unidos, por exemplo, nosso foco é o ciclismo, já no Brasil os circuitos de corridas e atletas do futebol".



Presente em 90 países, a marca possui mais de 70 produtos em seu portfólio e tem o público feminino como o seu maior consumidor, cerca de 60%. "Um ponto positivo é que atuamos na venda direta, enquanto os concorrentes se dividem entre varejo e venda direta. Além disso, todos os produtos da linha foram testados no antidoping para garantir maior tranquilidade aos clientes", disse.



Patrocinadora do time do flamengo, a empresa aposta em atletas e profissionais da área para alavancar as vendas. "Nossos principais distribuidores são as pessoas que trabalham como atividade física, como os personal trainers. Dessa forma estamos entrando no mercado de maneira gradual".



Suplementos na internet



No comércio eletrônico (e-commerce) desde 2012, a CentralFit é uma das novatas no segmento de suplementos. Registrando faturamento de R$ 35 milhões no ano passado e com previsão de crescer 50% em 2014, a marca cresceu 54% somente no primeiro semestre do ano. "A ideia era ter um negócio de recorrência, onde acabaríamos fidelizando o cliente. Assim acabamos fugindo das brigas de preço, oferecendo mais serviço do que preço", afirmou o CEO da marca, Rafael Rebouças.



De acordo com ele, investimentos em logística e atendimento foram fundamentais para que a empresa conquistasse a confiança do consumidor. "Nosso objetivo é ajudar o cliente que não possui tempo de ir a uma loja física. Além disso, fornecemos todas as informações dos produtos no site, com vídeos explicativos e avaliações dos itens, um diferencial que só o on-line consegue proporcionar".



Atendendo o País inteiro, a companhia foi pioneira ao inovar no atendimento pelo aplicativo de conversas, What's Up. "Com uma linguagem jovem os clientes podem tirar dúvidas, fazer pedidos e receber dicas de qual o melhor exercício para fazer na academia. A demanda foi tanta que tivemos de contratar uma pessoa exclusiva para o sistema".



Com um público democrático, que vai de 18 anos a 45 anos, Rebouças ressalta que chega a atender clientes com 70 anos de idade. "As pessoas estão se cuidando mais e querem envelhecer com qualidade de vida. Tínhamos um cliente que pesava 150kg e hoje está pesando 80kg, por exemplo". No total, a CentralFit trabalha com mais de 30 marcas, entre importados e nacionais. Já o tíquete varia de R$ 150 a R$ 500.