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Tatuapé, Itaim Bibi, Pinheiros e algumas regiões do centro estão entre as localidades mais promissoras para a abertura de restaurantes na cidade de São Paulo, se considerado o número de comércios do tipo inaugurados durante a crise e que continuam operando.

Segundo dados da empresa de inteligência geográfica Geofusion, nenhuma região entre as 25 da cidade com maior número de restaurantes teve mais pontos inaugurados entre 2015 e 2017 e ainda ativos do que o bairro da Zona Leste: são 156.

Chácara Itaim (115 restaurantes “novatos” em funcionamento), República (105), Consolação (97) e Pinheiros (97) também demonstraram resiliência durante o período de recessão. Não por acaso, as quatro áreas concentram um grande contingente de trabalhadores.

Segundo a Geofusion, República (274 mil) e Chácara Itaim (219 mil) são as duas áreas da capital que mais concentram mão de obra. Na Consolação (141 mil) e em Pinheiros (138 mil), os números também são altos.

No caso do Tatuapé, os dados da Geofusion indicam quadro distinto, com a população trabalhadora menor (93 mil). Ainda assim, 32 restaurantes inaugurados no bairro em 2015 seguem “firmes”, frente 55 criados em 2016 e 69 abertos no ano passado.

“Hoje é raro alguém da região do Tatuapé optar por restaurantes dos Jardins ou Vila Madalena, até pela questão do trânsito”, afirmou o presidente da regional paulista da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP), Percival Maricato.

O dirigente destacou vias do bairro – como a região da Praça Sílvio Romero – entre os pontos mais promissores na cidade, tal qual avenidas no Carandiru e Vila Guilherme ou na Pompeia e Perdizes.

Já no caso de algumas regiões centrais, a alta procura estaria associada à dificuldade de entrada em pontos próximos considerados nobres, como o Jardim Paulistano, afirmou Maricato.

Segundo a Geofusion, o bairro de alto padrão contaria com 3,38 restaurantes para cada mil pessoas (se considerados residentes e trabalhadores), ou a maior taxa da cidade; na República, a proporção é de 1,24 estabelecimentos para mil pessoas; na Consolação, o índice fica em 2,02.

Gerente de marketing de produto da Geofusion, João Caetano ainda lembra que zonas centrais outrora consideradas degradadas atravessam uma onda de lançamentos. Além da República e do Pq. Dom Pedro (87 restaurantes abertos com menos de três anos), a dinâmica deve atingir também os Campos Elíseos. Segundo Caetano, uma mudança no perfil dos moradores do bairro central deve incentivar uma troca gradual de estabelecimentos.

No caso de Pinheiros, a performance positiva dos restaurantes estaria criando um cenário “de gente comprando o lugar do outro que está indo bem”, afirma Caetano.

Já bairros como Moema, Berrini e Chácara Itaim são considerados “bons destinos naturais” por Percival Maricato, ainda que o dirigente avise que não existe área que possa ser considerada um “tiro certo”. “Existe zona que vira moda, mas depois passa por saturamento e decadência”, avisa.

Perspectiva

A aposta de Maricato para o crescimento do setor de bares e restaurantes em São Paulo está em linha com a alta de 4,5% projetada nacionalmente. A entidade não consolidou dados sobre aberturas no primeiro trimestre, mas o presidente da Abrasel-SP estima que a cidade deve testemunhar “um grande número de negócios pequenos sendo abertos nos próximos anos”.

Segundo a Geofusion, o potencial para alimentação fora de casa na cidade de São Paulo atingiu R$ 20,2 bilhões em 2017, ou 9,9% do montante nacional (R$ 203 bilhões).