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SÃO PAULO

Comodidade e proximidade são as duas premissas principais que identificam o sucesso das operações supermercadistas de vizinhança, as lojas menores instaladas em bairros. O potencial do modelo de negócio é tanto que os players Grupo Pão de Açúcar (GPA), Carrefour e Walmart devem ampliar a disputa com operações desse formato este ano.

Para a rede norte-americana Walmart, a oportunidade de abrir uma operação de proximidade surgiu em 2004, quando a empresa adquiriu a bandeira Bom Preço, que atuava com a marca Balaio na operação de bairro na Região Nordeste, afirmou ao DCI Antero Felippo, vice-presidente do Todo Dia. "O Walmart percebeu em 2004 o potencial desse nicho. Com a aquisição do Bom Preço passou a investir no supermercado de vizinhança", disse, ao que completou: "Desde que houve a aquisição sabíamos dos bons resultados e do potencial que há nesse mercado de classe emergente", disse ele.

Anteriormente, a rede só operava com supermercados e hipermercados no Brasil. Depois de algumas pesquisas de mercado, a supermercadista americana - a terceira maior rede em operação no País -, fez pequenas alterações na Balaio, a primeira das quais foi a troca do nome para Todo Dia, em 2004, depois da aquisição da bandeira nordestina.

Segundo Felippo, depois de toda a análise do mercado, o Walmart decidiu expandir o segmento de proximidade no nordeste para em 2008 inserir a marca em outras regiões. "Até 2007 expandimos essa operação só no nordeste. A partir de 2008 é que iniciamos a inserção da bandeira Todo Dia em São Paulo, e depois no sul do Brasil", explicou.

No ano passado, a Todo Dia atingiu 174 lojas - 21 em São Paulo-, tendo inaugurado 25 novos pontos de vendas nesse formato. "No ano passado tivemos um avanço importante com a Todo Dia ao abrir mais de 20 lojas no período. Nosso foco continuou no nordeste, região que recebeu 18 novos pontos de venda", enfatizou o vice-presidente da rede. As outras sete operações foram assim divididas: uma loja em São Paulo, e o restante no sul.

Questionado se o modelo de vizinhança não era, de certa forma, prejudicial ao modelo de hipermercado, Antero Felippo disse que não há briga entre as operações. "Ele [o modelo] não briga com os nossos hiper e supermercados. Nós apenas nos preocupamos em não abrir uma operação de proximidade muito perto de um hiper, por exemplo."

Outro fato ressaltado é que devido ao foco da rede Todo Dia estar na Região Nordeste, há uma maior utilização de produtos regionais, como explicou Felippo. "O mix de produtos dentro de uma loja de proximidade é de cerca de 3.000 itens. E para atender todas as necessidades do consumidor, temos uma boa variedade de artigos regionais em nossa bandeira", declarou. Ao que completou: "Além do sortimento adequado ao público C e D, temos em nossas lojas produtos em embalagens menores ou econômicas", ressaltou ele.

O executivo não informou o quanto a rede representa no faturamento do grupo Walmart, nem quais as perspectivas de expansão. Afirmou, apenas, que o nordeste ainda é a região em que haverá mais atenção na expansão da empresa. "Temos espaço para crescer em São Paulo e é um estado que queremos nos desenvolver, mas existe uma oportunidade maior no nordeste", argumentou.

Não é só no Brasil que o Walmart tem operações de proximidade. Com foco maior na América Latina, a rede norte-americana detém bandeiras como a Bodega, no México e no Chile. Na Guatemala, Honduras e El Salvador, as operações que se enquadram no mercado de vizinhança são a Dispensa Familiar. Já na Costa Rica e na Nicarágua, a bandeira é a Pali, mas com foco em consumidores com o cartão da loja (private label). Já nos Estados Unidos e na China, a operação que se enquadra no formato de proximidade é a do Walmart Express e dos Neighborhood Markets.

Perspectivas

Para Rodrigo Mariano, gerente do departamento de economia e pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas), no Brasil ainda há muito mercado para as lojas de proximidade. O especialista explicou que os brasileiros costumam ir mais vezes a um supermercado na comparação com o europeu, e isso é um dos fatores impulsionadores desse segmento. "O consumidor atual busca comodidade. Ao ter uma mercado, por menor que seja, perto de sua casa ou de seu trabalho, isso atraíra a atenção. Com as operações de vizinhança pode-se dizer que há a volta do famoso freguês ao setor", disse.

Questionado se a operação daria certo em outros países, Mariano acredita que isso é uma característica mais do brasileiro e dos países vizinhos. "O crescimento desse nicho está associado a qualificação do consumo que o País vive agora", argumentou. Ainda na opinião do especialista, as Regiões Norte e Nordeste são as de maior potencial para o mercado.