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Em operação há pouco mais de 18 meses, o e-commerce do Carrefour Brasil cresce rápido. Ao longo de 2017 os negócios feitos pela internet somaram 3,5% das vendas, ante ao ínfimo 1% visto em 2016. Daqui para frente, o objetivo da varejista francesa é implementar um sistema de compra virtual e retirada na loja para ganhar market share no canal.

“O e-commerce do Carrefour foi montado de modo estruturado. Apesar de ser uma das últimas grandes do varejo a desbravar o universo virtual no Brasil, a operação nasceu com uma estrutura bastante robusta, o que sustentou esse crescimento rápido”, avaliou o economista, e especialista em varejo e professor, Heródoto Ribeiro.

Segundo o especialista, há um movimento forte na Europa, principalmente na França, de mudança no mercado. Segundo um relatório recente da Kantar Worldpanel as duas francesas Casino – dona do Grupo Pão de Açúcar no Brasil – e Carrefour perderam parte do mercado.

Ao longo do ano passado o Cassino teria perdido cerca de 0,2 ponto percentual de market share, ao passo que o Grupo Carrefour teria encolhido 0,3%. “As francesas precisarão ganhar mercados em outros lugares, e o Carrefour tem um nome bastante consolidado no Brasil, uma relação próxima do consumidor que vem desde os anos 1990. “O Brasil recebeu a primeira loja do Carrefour nas Américas. Eles conhecem bastante o comportamento do consumidor brasileiro, e querem aproveitar melhor esse potencial”, disse Ribeiro.

No caso da França, segundo a Kantar, a perda de share do Carrefour ficou atrelada, justamente, aos consumidores que migraram suas comprar para o modelo virtual.

Investimentos

De acordo com o diretor Financeiro e de Relações com Investidores do Carrefour Brasil, Sébastien Durchon, a intensificação da operação virtual continuará ao longo deste ano, principalmente com a implementação de um serviço que permite consumidor comprar pela internet e retirar o pedido em um hipermercado da rede.

Além disso, a varejista francesa espera investir R$ 1,8 bilhão em 2018, montante igual ao investido ao longo de 2017. Em sua divulgação de resultados do quarto trimestre de 2017, a companhia mencionou como uma prioridade para o ano atual a aceleração de sua expansão. Nos planos, está prevista a abertura em 2018 de 20 lojas do Atacadão.

No ano de 2017, o capex (investimento) cresceu 1,2% para R$ 1,808 bilhão. Do capex total, 47% foi destinado a expansão e 20% a reforma de lojas.

O total de lojas do grupo ao final de 2017 era de 634, ante 566 em dezembro de 2016. No formato de "atacarejo", onde o Carrefour atua com a bandeira Atacadão, a empresa adicionou 11 lojas ao longo do ano passado. Já a rede de lojas de conveniência Carrefour Express ganhou 49 novos pontos de venda. No acumulado do ano a empresa teve lucro líquido de R$ 1,4 bilhão, o melhor resultado da história da rede supermercadista no País e uma alta de 12,4% sobre 2016.