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As duas grandes redes do varejo paulistano de autopeças, Voli e MercadoCar , prometem movimentar o setor em 2005 com investimentos em novo ponto-de-venda e vendas pela Internet. Enquanto a MercadoCar planeja investir o montante de R$ 2 milhões na abertura de sua quarta loja, a Voli prepara a entrada no comércio eletrônico durante este ano. Com os projetos, as duas empresas buscam incrementar suas receitas dentro de um mercado que apresentou retração de faturamento no ano passado.Na contramão do setor, a MercadoCar registrou crescimento de 20% no faturamento de 2004 após realizar pesados investimentos em marketing e em mudanças operacionais na sua loja da Barra Funda, na zona oeste paulistana: a loja passou a ter funcionamento 24 horas.Roberto Gandra, proprietário da MercadoCar, conta que o shopping da rede a ser aberto, o principal investimento previsto para 2005, faz parte de um plano da empresa de inaugurar uma loja a cada ano. Em dezembro de 2004, pela primeira vez a MercadoCar se expandiu para fora da cidade de São Paulo, com a inauguração de uma loja em Guarulhos (as outras duas lojas MercadoCar estão localizadas na zona norte e oeste da capital paulista).O empresário prefere não divulgar onde será aberta sua próxima loja. Limita-se a dizer que a empresa pesquisa uma área dentro da Região Metropolitana de São Paulo. Apesar disso, Gandra dá indícios de que não vai entrar em confronto direto com sua maior concorrente, a Voli, que explora a zona sul da cidade de São Paulo. "Não temos objetivo de abrir em locais que já contam com lojas com nosso estilo de operação", revela.Diferentemente da MercadoCar, a rede Voli, com seis shoppings em São Paulo, não tem planos de abrir pontos-de-venda neste ano, segundo a diretora de marketing da empresa, Elizabeth Sato. "Vamos trabalhar com as lojas já existentes", diz. As expectativas da Voli estão concentradas em seu ingresso no comércio eletrônico, previsto para o primeiro semestre de 2005 no endereço (). Os investimentos previstos para este ano são 15% maiores do que os realizados em 2004. A projeção é de que as vendas cresçam no mesmo patamar até o final de 2005.De acordo com Sato, o ingresso da Voli no mercado on-line vem sendo estudado desde o início deste ano. A vasta linha de produtos e o perfil demasiadamente técnico do segmento dificultam a implementação de um projeto de vendas virtuais no varejo de autopeças. As complicações fizeram a MercadoCar abandonar este mercado em 2003. A rede de Roberto Gandra não pretende explorar o e-commerce neste ano.QuedaNúmeros da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), que levam em conta as lojas da Grande São Paulo, indicam que os resultados positivos do mercado de carros novos no ano passado pouco contribuíram para o varejo de autopeças. De acordo com a entidade, o setor acumulou queda de 7,41% no faturamento real entre janeiro e novembro de 2004, na comparação com 2003.Contribuiu para o índice negativo os expressivos aumentos dos fornecedores de peças, segundo avaliação da entidade. Altas em insumos como o aço e petróleo elevaram em 39,26% o preço de autopeças entre janeiro e novembro de 2004, a alta mais expressiva entre os cálculos de inflação no comércio da Fecomércio.A Voli sentiu a queda no mercado em 2004. Depois de aplicar seus recursos na construção de duas lojas em 2003 (a unidade de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, e a loja de São José dos Campos, no interior paulista), os investimentos da rede no ano passado se concentraram na reforma de lojas e no lançamento de seu cartão de fidelidade, o Voli Vip. Apesar do esforço, a empresa não atingiu a meta, traçada em julho passado, de crescer pelo menos 5% até o final de 2004: o faturamento ficou estacionado, de acordo com Sato.