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O Wal-Mart já acertou a compra da operação brasileira do grupo português Sonae , detentor das bandeiras Big, Mercadorama e Nacional. A informação é de uma importante fonte supermercadista de São Paulo. Segundo ela, a negociação foi acertada na última terça-feira e deve ser anunciada em breve. Apenas alguns detalhes estariam em finalização.Com a aquisição, o Wal-Mart entra no grupo seleto das redes supermercadistas que no Brasil faturam mais de R$ 10 bilhões e disputam a liderança do setor. Até então, com esse patamar de receita, havia apenas duas companhias no Brasil: o Grupo Pão de Açúcar , com faturamento de R$ 15,5 bilhões, e o Carrefour , com R$ 12,1 bilhões."O Wal-Mart comprou a operação do Sonae. O negócio vem a confirmar que o Wal-Mart, depois de um início de crescimento tímido no Brasil, passa agora por franca expansão no País. Com a compra das lojas do Sonae, o grupo norte-americano agora marca presença, praticamente, em toda a costa leste da América Latina", diz a fonte.Além de passar da casa dos R$ 10 bilhões, o Wal-Mart, que em 2004 somou uma receita de R$ 6,1 bilhões, ameaça a segunda posição do Carrefour no ranking nacional de supermercados. Não se sabe exatamente qual o valor pago pelo Wal-Mart pelas lojas do Sonae. Informações publicadas na imprensa sugerem que a soma gira em torno de 800 milhões de euros (R$ 2,4 bilhões)."O negócio vai obrigar o Carrefour a aumentar seus esforços em expansão. A briga, agora, está concentrada nas três grandes varejistas", diz a fonte. O Wal-Mart não nega nem confirma o fechamento do negócio. Seu presidente no Brasil, Vicente Trius, não se manifesta. "O Wal-Mart não comenta especulações", é a declaração oficial da empresa.João Carlos Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), disse desconhecer a informação. "Acredito que cedo ou tarde a compra acontecerá, mas não sei informar se ela já ocorreu", diz. A declaração de Oliveira reitera a de uma fonte do Wal-Mart que também não quis se identificar. "Não há nada de concreto ainda", comentou.Oliveira diz que a aquisição do Sonae por parte do Wal-Mart não será surpresa. "O Sonae quer ser vendido, e isso não é novidade para ninguém, assim como o Wal-Mart, a partir do momento que comprou o Bompreço no Nordeste, mostrou que quer crescer no País. Ou seja, uma negociação dessas não será surpresa e deve acontecer cedo ou tarde", afirma.Contudo, o presidente da entidade não acredita que a aquisição seria boa para o mercado. "Teríamos um aumento da concentração do mercado entre os três maiores grupos do País", comenta Oliveira. Atualmente, os quatro maiores supermercadistas do Brasil representam quase 40% das vendas do setor, levando-se em consideração o mercado formal.Na semana passada, informações da imprensa davam conta de que um e-mail circulara entre funcionários e fornecedores do grupo português no Rio Grande do Sul informando que a venda aos norte-americanos seria oficialmente anunciada nesta semana.Grande saltoCom a aquisição da operação do Sonae no Brasil, o Wal-Mart crescerá em receita, num único ano, o equivalente a 75% do seu tamanho atual. Em número de lojas, praticamente dobrará de tamanho, já que o Sonae tem aproximadamente 150 unidades espalhadas por Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e interior de São Paulo.O Wal-Mart hoje também tem um pouco mais de 150 lojas. Assim, deve ultrapassar as 300 lojas. O Carrefour tem 390 e o grupo Pão de Açúcar soma mais de 550.A principal vantagem obtida pelo Wal-Mart com essa aquisição, é o controle do mercado da Região Sul do País, uma das mais fortes do ponto de vista econômico e que hoje está nas mãos do Sonae. Os concorrentes mais fortes são os supermercados locais, como a rede gaúcha Zaffari , a catarinense Angeloni , e as paranenses Condor e SuperMuffato , já que as grandes redes têm uma presença ainda tímida na região.O fechamento do negócio significa, para o grupo Pão de Açúcar e Carrefour uma barreira ainda maior para fortalecerem suas presenças no Sul. O Wal-Mart, é bom lembrar, é a maior empresa varejista do mundo. Em 2004, faturou US$ 256 bilhões.Em junho deste ano, a companhia portuguesa havia fechado a venda de dez lojas Big, em São Paulo, ao Carrefour, em um negócio de R$ 319 milhões.As lojas vendidas ao Carrefour tinham uma receita bruta de R$ 500 milhões ao ano. Ou seja, a companhia francesa pagou 70% do faturamento das lojas. No caso da negociação com o Wal-Mart, os 800 milhões de euros equivaleriam a 65% do faturamento bruto do Sonae em território brasileiro.