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Quatro em cada dez paulistanos (43%) são contra a demonstração de afeto, como beijos e abraços, por pessoas do mesmo sexo em lugares públicos. Essa foi uma das conclusões da pesquisa “Viver em São Paulo: Diversidade”, divulgada ontem (22) pela Rede Nossa São Paulo.

A análise também indicou que 38% dos paulistanos são contra a demonstração de afeto por pessoas do mesmo sexo na frente de seus familiares. Ainda assim, metade dos consultados disse considerar São Paulo uma cidade tolerante, enquanto apenas 23% dos perguntados afirmaram que a capital é intolerante com os LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e outros gêneros).

“A impressão que as pessoas têm da cidade não corresponde com o que elas próprias vivem diariamente na cidade. É aquela ideia de que o preconceito é sempre do outro, nunca é meu”, afirma Américo Sampaio, gestor da Rede Nossa São Paulo.

A pesquisa revelou ainda que 51% dos paulistanos já vivenciaram ou presenciaram situações de preconceito contra pessoas LGBT+. Sobre os locais em que essa situação ocorreu, 46% dos consultados disseram ter visto manifestações de preconceito no transporte público. Outros lugares citados foram escolas e faculdades (39%), shoppings e comércios (39%), bares e restaurantes (38%), no ambiente de trabalho (35%) e na família (34%).

De acordo com Sampaio, ônibus e trens juntam indivíduos diferentes de maneira bastante concentrada. “É uma situação distinta, em que as pessoas são aproximadas de outras realidades”. Por essa razão, segue ele, é que o preconceito é mais percebido no transporte público.

Perfil mais tolerante

A pesquisa também traçou o perfil dos paulistanos que são mais tolerantes com questões relacionadas à população LGBT+. Esse grupo é composto por mulheres mais escolarizadas, com renda familiar de mais de cinco salários mínimos e idade entre 25 e 34 anos. Por outro lado, são predominantes entre os menos tolerantes os homens menos escolarizados, com renda familiar inferior a dois salários mínimos e mais de 55 anos.

Segundo o levantamento, 46% dos paulistanos disseram que a Prefeitura faz pouco para combater a violência contra a população LGBT+. Outros 28% afirmaram que a administração municipal não tem feito nada, enquanto 8% defenderam que a Prefeitura faz muito para garantir a segurança desse grupo.

Na visão de Sampaio, a Prefeitura precisa agir mais para combater a violência e o preconceito contra os LGBT+. “É um problema muito grande que tem pouca atenção na cidade”. Entre as medidas necessárias, ele cita o investimento em conscientização e a criação de um canal para denúncias de violência. “A dificuldade para conviver com o diferente ainda é grande em São Paulo. É preciso mudar isso.”