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Foram protocoladas 1.510 ações condominiais no Estado de São Paulo durante o primeiro bimestre deste ano, um aumento de 57,5% na comparação com igual período do ano passado, de acordo com dados exclusivos do Tribunal de Justiça, compilados pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

Entre março de 2017 e fevereiro de 2018, o número de ações chegou a 13.950, um crescimento de 171% em relação aos 5.156 pleitos registrados no período anterior (de março de 2016 a fevereiro de 2017).

As ações condominiais, cujas principais causas são a falta de pagamento e o despejo por inadimplência, crescem apesar da expectativa de uma melhora da economia neste ano. Na opinião de especialistas consultados pelo DCI, esse fenômeno acontece, entre outros motivos, por causa do ritmo lento da recuperação da atividade.

“A diminuição do desemprego ainda é muito lenta e instável, o que não colabora para uma melhora desse cenário”, diz Hadan Palasthy Barbosa, diretor jurídico do Creditcon. Outro problema, diz ele, é a falta de confiança na economia. “As incertezas são causadas, em grande parte, pela insegurança política.”

Segundo o entrevistado, esse quadro deve ser mantido durante o ano. Isso porque ele acredita que um crescimento econômico mais vigoroso ficará para 2019, caso as eleições tragam maior estabilidade ao País.

Excesso de oferta

Por outro lado, o mercado imobiliário do Estado dá sinais de aquecimento no começo deste ano. Isso acontece, em grande parte, por causa do excesso de oferta na região metropolitana, que permite a realização de negócios por preço mais baixo, afirma Palasthy.

Na cidade de São Paulo, foram comercializadas 26.729 unidades entre abril de 2017 e março de 2018, um avanço de 67,4% em relação ao período anterior (entre abril de 2016 e março de 2017). Já o estoque de imóveis disponíveis para venda ficou em 19.307 unidades no mês de março, acima da média histórica. Os dados foram divulgados pelo Secovi-SP na última quinta-feira (10).

Na opinião do economista-chefe do sindicato, Celso Petrucci, a recuperação expressiva do setor se deve, em parte, à base de comparação fraca. “O mercado só passou a apresentar resultados consistentes a partir de agosto do ano passado.”

Imóveis usados

As vendas de imóveis usados também cresceram no começo deste ano na capital paulista. No primeiro trimestre, houve aumento de 36,53% nessas transações, de acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (CreciSP). Foi o primeiro resultado positivo para o período de três meses desde 2014, antes da recessão.

Entretanto, executivos do CreciSP afirmam que a retomada da economia ainda é lenta, impedindo um avanço mais significativo do setor.