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Acompanhando a tendência de menor uso de carros, principalmente pelas novas gerações, a cidade de São Paulo recebeu 166 empreendimentos sem garagem nos últimos dez anos. É o que indica uma pesquisa do portal Zap divulgada com exclusividade pelo DCI.

A construção da maior parte dos imóveis aconteceu na região central. Lá, o bairro da Sé recebeu 1.798 apartamentos sem vagas nos últimos cinco anos, superando Bela Vista (1.179) e República (961). Juntas, as três regiões concentraram 63% do total de unidades desse tipo.

Na zona leste, o destaque ficou com a Vila Prudente (866 apartamentos). Nas zonas oeste e sul, os bairros líderes foram Barra Funda (1.196) e Campo Limpo (1.022).

Na avaliação de Cristiane Crisci, gerente de inteligência de mercado do Grupo ZAP, a tendência é que esse tipo de imóvel ganhe cada vez mais espaço no mercado. Isso porque as pessoas mais jovens estão abrindo mão dos carros e buscando apartamentos próximos a pontos de ônibus e estações de metrô.

De acordo com pesquisa realizada pela Deloitte em 2016, a necessidade de ter um veículo era questionada por 55% das pessoas que, naquele ano, usavam serviços de carro compartilhado, como o Uber, no Brasil. Entre os jovens das gerações Y (nascidos nos anos 80) e Z (nascidos depois de 1990), esse número chegava a 62%.

Para Cristiane, a melhora do transporte público paulistano – com o aumento do número de estações de metro na capital, por exemplo – deve acentuar a rejeição dos carros já nos próximos anos.

Pequeno porte

O tamanho médio dos apartamentos sem vaga na garagem não é grande. Para as unidades com um dormitório, a média é de 32 metros quadrados. Para as unidades com dois dormitórios, a média de 44 metros quadrados.

Durante os últimos 5 anos, 41% das unidades lançadas sem vagas e com um dormitório tinham até 30 metros quadrados e 59% tinham entre 31 e 45 metros quadrados. Já 92% das unidades com dois dormitórios possuíam entre 31 a 45 metros quadrados.

Mais uma vez, a mudança de comportamento das novas gerações seria o principal motivo para a mudança dos lançamentos. De acordo com Cristiane, a preferência – talvez causada pela limitação financeira – dos jovens pelos aluguéis, ao invés das compras, fortalece o avanço dos apartamentos menores.

A especialista diz que os empreendimentos em que estão essas unidades possuem uma área comum pensada para atender as necessidades do dia a dia, como lavanderia coletiva, por exemplo.

Os bairros da Aclimação, Vila Mariana, Moema e Vila Madalena possuem o valor médio mais alto do metro quadrado para imóveis sem garagem e com um dormitório. Nessas regiões, os preços ficam em R$ 15.696, R$ 13.081, R$ 12.553 e R$ 12.275, respectivamente.

Na ponta oposta da tabela, Itaquera (R$ 5.399) e Cambuci (R$ 6.161) são os bairros com metragem mais barata entre as unidades desse tipo. Já no grupo dos imóveis com dois dormitórios, Itaim Paulista (R$ 4.081) e Butantã (R$ 4.257) registraram os preços mais baixos durante o último triênio.

Recuperação

O mercado imobiliário da capital continua instável neste ano. De acordo com levantamento feito pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP), 2.158 unidades residenciais novas foram vendidas em maio deste ano, uma diminuição de 0,6% no confronto com igual período do ano passado.

Entretanto, no acumulado de 12 meses (entre junho de 2017 a maio de 2018), foram comercializadas 27.307 unidades, uma alta de 59,6% em comparação com os 12 meses anteriores (entre junho de 2016 a maio de 2017).

A maior parte dos especialistas tem projeção otimista para este ano, esperando um avanço das vendas na comparação com 2017. Entretanto, as incertezas referentes às eleições e à trajetória da economia ainda são citadas como empecilhos para um desempenho melhor do mercado.