Publicado em

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na noite dequarta-feira, a concessão do Autódromo de Interlagos à iniciativa privada. O placar da votação foi de 34 votos a 8. Aprovado em segundo turno, o texto segue para a sanção do prefeito Bruno Covas (PSDB).

O texto aprovado pelos vereadores altera a proposta inicial da Prefeitura de São Paulo, que pretendia vender todo o Complexo de Interlagos. A Câmara aprovou apenas a concessão, em vez da venda. Com isso, será repassada apenas a administração do complexo, que inclui o autódromo municipal, o kartódromo Ayrton Senna e estruturas de apoio.

Além de aprovar a concessão, os vereadores também incluíram um dispositivo que garante a gratuidade do acesso ao parque que integra o complexo de Interlagos. Na prática, a emenda aprovada na Câmara apenas substitui toda a lei que previa a venda do autódromo.

Segundo o vereador Milton Leite (DEM), ex-presidente da Casa, a alteração ocorreu porque, na avaliação do Legislativo municipal, a área permitida para construção de equipamentos e exploração da área não pagaria a conta das obras que a Prefeitura exigia como contrapartida. “Nós não vendemos porque não paga a conta, é bem simples”, disse o vereador. “Com a concessão, não precisa fazer isso.”

Fórmula 1

De acordo com os governistas, a aprovação do projeto dará fôlego para a cidade na disputa com o Rio de Janeiro pelo Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

Na segunda-feira, dia 13, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), se reuniu com representantes do Estado na Câmara dos Deputados para debater e articular uma força política em Brasília a fim de manter a capital paulista no calendário da Fórmula 1. O encontro, com secretários municipais dez deputados de oito diferentes partidos teve o intuito de formar uma corrente de trabalho para evitar que a cidade perca para o Rio de Janeiro o posto de sede do GP do Brasil.

Segundo Covas, o encontro serviu para todos os presentes redigirem um documento com informações e números sobre os benefícios de São Paulo continuar na Fórmula 1.

A motivação para a reunião foi uma declaração do presidente Jair Bolsonaro, que na semana passada afirmou que a prova da Fórmula 1 em 2020 já seria no Rio, em um autódromo novo a ser construído em Deodoro e com uma obra prevista para durar apenas sete meses. No entanto, tanto o prefeito Covas como o governador de São Paulo, João Doria, explicaram que a capital paulista tem contrato com os donos da Fórmula 1 até 2020 e está em fase de negociação para renovar o acordo por mais alguns anos.

O prefeito voltou a afirmar que Bolsonaro foi induzido ao erro quando mencionou as informações sobre o novo projeto do autódromo do Rio, principalmente sobre a cidade já estar apta a receber a categoria em 2020. “Não vejo outra atitude além dessa (de erro de informação) para poder corroborar essa tese. Estamos desde o ano passado discutindo a renovação da Fórmula 1. Não há impeditivo para esse contrato não ser renovado.”

As conversas para manter a capital paulista no calendário da Fórmula 1 devem se intensificar nos próximos dias, o que inclui encontros com os ex-pilotos Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, que já demonstraram apoio à renovação de contrato entre a categoria e o Autódromo de Interlagos.