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(Matéria alterada para correções de informações na linha fina e no 4º parágrafo. Segue a íntegra corrigida)

A cidade de São Paulo está a caminho de se tornar um dos maiores centros de tecnologia e de fomento às startups em nível mundial. De olho em exemplos internacionais, a gestão municipal dá os primeiros passos para incentivar o ecossistema de novas empresas.

 

A análise é do sócio-fundador do escritório de advocacia SV Law, Rodrigo Valverde. “A cidade já percebeu que tem muitas empresas de tecnologia surgindo do nada e que em pouco tempo estão transformando a realidade das pessoas e da economia”, comenta.

 

O estudo internacional “Global Startup Ecosystem Report 2019”, realizado pela Startup Genome, que avalia a situação das empresas nascentes em metrópoles espalhadas pelo mundo, aponta que São Paulo está ganhando destaque.

 

Segundo o levantamento da Genome, considerando os investimentos e o rápido desenvolvimento de startups, a capital paulista tem potencial de estar entre as 30 cidades com o melhor ambiente de fomento às empresas de tecnologia no mundo nos próximos cinco anos. Valverde considera que a criação do hub/sp, centro de inovação com participação da Investe São Paulo – agência de investimentos vinculada ao governo do Estado de São Paulo – foi o início desse processo de abertura entre o Poder Público e as startups. “É um coworking que o empreendedor não precisa dar equity ou pagar. É ótimo para quem está começando”, diz.

 

De acordo com o head de inovação e de transformação digital do hub/sp, Luiz Candreva, o espaço nasceu para conectar a gestão pública, o ambiente acadêmico e as startups. Ele explica que o centro roda diferentes programas de inovação ao mesmo tempo, permitindo que empresas de diferentes estágios de desenvolvimento sejam atendidas.

 

Para ele, os problemas que as startups paulistas enfrentam, principalmente as que estão começando, são a falta de acesso aos clientes, aos espaços de trabalho, à mídia e às conexões com outras empresas. Fatores que o hub/sp tenta melhorar.

 

Além de poderem usufruir do centro, que conta com salas de reuniões, espaço para 110 postos de trabalho e com um auditório para 250 pessoas, as startups que participam do hub/sp têm mentorias. “O número é bem dinâmico, mas são cerca de 53 mentores de cinco países diferentes, incluindo do Brasil”, diz.

 

Candreva considera que a esfera pública ainda tem muito o que melhorar para, de fato, ajudar na criação de um ecossistema de sartups. Segundo ele, o Poder Público ainda é um entrave para o empreendedor no Brasil e o Estado ainda é “grande demais”. “Eu aprendi que o governo tem uma série de limitações”, admite “No entanto, a gestão também tem muita gente boa que acaba ficando presa ao sistema.”

Segundo ele, a inovação vai entrar no governo de uma forma ou de outra. Por isso, na visão dele, o Poder Público precisa abraçar as novas empresas como uma oportunidade e, além disso, como uma necessidade de otimização.

Para Valverde, do SV Law, assim como a cidade de São Paulo, o Estado também deve começar a dar mais fomento para o ecossistema paulista de startups. Na opinião do advogado, o governador João Doria tem sinalizado a intenção de desburocratizar as empresas nascentes. “Ele quer abertura e fechamento mais rápidos de empresas, proteger os investidores e os fundadores e ampliar os incentivos fiscais.”

Na visão dele, as startups trazem ideias muito boas, mas ainda enfrentam a burocracia.