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No mês de junho, o índice pluviométrico nas principais represas do Estado de São Paulo está perto do patamar visto entre 2014 e 2015, durante a crise hídrica. A falta de chuva já preocupa os especialistas.

Até o dia 19 deste mês, o Sistema Cantareira, principal reservatório paulista, teve pluviometria acumulada de 18,9 milímetros, bem abaixo da média histórica para junho (61,1 milímetros), de acordo com dados da Sabesp.

Em maio, foram marcados apenas 13,7 milímetros, nível bastante inferior à média (78,6 milímetros). Situação semelhante foi vista no Sistema Alto Tietê, o segundo maior do estado, durante os últimos meses.

Com isso, o Cantareira estava, ontem (19), com 45% de seu volume total preenchido, um pouco abaixo do Alto Tietê, que tinha 57,8% de sua capacidade completa.

Na opinião de Fernando Pereira, diretor da empresa General Water, a situação atual é “de alerta”. “Somados, os reservatórios estão, em média, com 53% de sua capacidade preenchida. Esse nível não seria tão ruim se estivéssemos longe do período de seca, mas [essa fase] está apenas começando”, afirma o entrevistado.

De acordo com ele, caso o nível pluviométrico continue perto de 70% da média histórica, como aconteceu durante os últimos nove meses, os reservatórios estarão com apenas 30% do volume cheio no final do ano, quando as chuvas devem aumentar.

“Nesse cenário”, segue Pereira, “o ideal seria que o governo já começasse a alertar a população, chamando atenção para medidas de economia de água”. O especialista defende que o Executivo estadual demorou demais, em 2014, para avisar os paulistas do quadro de crise, complicando mais a situação hídrica de São Paulo.

Alerta

Superintendente de produção de água da Sabesp, Marco Antônio Lopes Barros reconheceu, na segunda-feira (18), que a situação dos reservatórios é preocupante, durante entrevista concedida a uma rádio paulistana. Entretanto, ele descartou o risco de desabastecimento no estado.

Pereira, da General Water, concorda que o quadro atual não é desesperador, mas pede ações do governo para evitar uma nova crise. “Falta investir mais para combater o desperdício de água e falta apostar na água de reuso em larga escala. O governo não fez isso, então continua vulnerável aos períodos de seca”, afirma ele.

Questionada sobre a necessidade dessas ações, a Sabesp informou, em nota enviada ao DCI, que investiu “quase R$ 7 bilhões em obras para melhorar o sistema de abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo” nos últimos anos. No entanto, a empresa não se pronunciou sobre o desperdício e o reuso da água no Estado de São Paulo.

A Sabesp destacou também que a entrada de água nas represas, “principalmente a partir de abril, no Sistema Cantareira”, está muito perto das mínimas históricas.