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Em meio a uma crise estrutural, as cidades do ABC paulista tentam adotar medidas para encontrar novas vocações e voltar a atrair investimentos. Para isso, além de promoverem ações individuais, os municípios estudam formas de atuar em conjunto a fim de ampliar o número de empresas na região.

Segundo o prefeito de Santo André e presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que engloba as sete cidades da região, Paulo Serra, alguns municípios já fizeram legislações tributárias mais convidativas e estão apostando na desburocratização de concedimento de alvarás, de abertura de empresas e, consequentemente, acelerando os processos.

Segundo ele, em Santo André os alvarás já estão sendo liberados em 30 dias, ação que costumava levar meses. Além disso, ele explica que 90% do processo é feito de forma digital e a intenção é que, com o tempo, todas as etapas sejam informatizadas.

Nesta semana, os sete prefeitos da região farão uma reunião para elaborar um estudo sobre qual é a vocação de cada município e da região metropolitana como um todo. De acordo com o prefeito, o ABC tinha, desde os anos 60, uma economia muito atrelada à indústria e à cadeia automotiva, mas isso tem enfraquecido. Para Santo André, ele acredita que nos próximos anos, o perfil econômico seja de empresas de tecnologia e inovação.

Diadema também tem reforçado ações para atrair mais empresários. A cidade está concedendo benefícios fiscais para empresas. Entre os impostos com descontos em troca de instalação das companhias no município estão o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).

“A ideia da prefeitura é fazer um plano de desenvolvimento econômico da cidade, onde você tem uma série de incentivos”, afirma o secretário de finanças da prefeitura de Diadema, Francisco Rocha.

Segundo o secretário, o município ainda não tem uma definição precisa do perfil de empresas que espera atrair. Mas a expectativa é receber aquelas com maior valor agregado. “O ramo de informática é bastante atrativo”, diz.

Para o professor e coordenador do curso de gestão pública da Universidade Metodista de São Paulo, Vinicius Schurgelies, a melhor forma das cidades do ABC aumentarem o número de empresas é garantir um Plano Diretor eficiente. “Boas legislações dão mais segurança ao investidor. Saber qual infraestrutura ele vai encontrar na cidade e como ele vai poder explorar comercialmente a área ajuda”, explica.

A professora de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC) Luciana Pereira considera que, para se manter longe de guerras fiscais, um dos pontos mais importantes nessa atração de investidores é o trabalho em conjunto entre os municípios. “Isso não elimina a competitividade entre eles, o que é muito saudável. Mas ajuda a dar limites para a condição do ‘que vença o melhor’, com a vantagem de atrair ainda mais empresas para toda a região”, afirma.