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O ABC está se articulando para retomar o interesse de indústrias e para se tornar um novo polo dos setores de ferramentaria, químico e petroquímico. Por meio da criação de um parque tecnológico, com espaço para sediar as companhias dos segmentos, a região mira a recuperação de empregos e da dinâmica econômica.

“Atualmente, com as boas universidades que temos e com as montadoras, conseguiríamos promover o desenvolvimento dessas indústrias”, avalia o secretário-executivo do Consórcio ABC, Edgard Brandão, sobre a atratividade da região.

Segundo ele, o ABC está correndo contra o tempo para que as empresas industriais aceitem se consolidar em toda a região. O secretário-executivo conta que outros municípios do Estado, como Sorocaba e São José dos Campos, também demonstram interesse na captação desses setores.

Para ele, no entanto, as cidades do ABC já foram um polo dessas indústrias no passado, o que facilita para que as empresas se estabeleçam novamente.

O objetivo, de acordo com Brandão, é que as indústrias se instalem em um parque tecnológico na cidade de Santo André. O local ainda é um projeto e aguarda a captação de investimentos para sair do papel.

A obtenção dos recursos para a criação do parque já está sendo debatida pelas prefeituras, segundo Brandão. “Nós já pedimos o auxílio do Ministério das Cidades e de outras fontes que podem nos ajudar”, afirma.

Por isso, ele explica que, embora a intenção seja que as indústrias se instalem no parque, a atração das empresas vai ocorrer mesmo se o local não for viabilizado ainda em 2019. “O posicionamento das companhias [se vão se instalar no ABC] nós pretendemos enviar ao governador ainda neste ano” diz o secretário-executivo.

Recuperação econômica

Ao analisar o 19º Boletim EconomiABC, o economista da Universidade Metodista de São Paulo Sandro Maskio considera que a região vai levar, pelo menos, três anos para conseguir se recuperar do período de crise sobre a indústria.

Segundo o indicador, elaborado pelo Observatório Econômico da Metodista e divulgado na última semana, o crescimento econômico da região foi de apenas 0,2% em 2018. No triênio entre 2014 e 2016, a geração de riqueza do Grande ABC retraiu cerca de 27%.

Embora o cenário das cidades ainda seja de perdas, o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Agostinho Pascalicchio está otimista com uma recuperação. “A região tem uma estrutura [industrial e tecnológica] pronta aguardando o crescimento econômico”, afirma.

O especialista considera que, para os setores químico e petroquímico, o ABC tem uma aptidão natural. “A região já tem infraestrutura para receber essas empresas”, explica.

Já para o setor de ferramentaria, Pascalicchio acredita que as cidades vão precisar passar por algumas adaptações na área tecnológica para atender as demandas do segmento. “O ABC pode ter mais facilidade nesse sentido, porque as empresas automotivas exigem bastante essas tecnologias.”

O consórcio do ABC planeja fazer o primeiro encontro oficial de negociação entre as cidades e os setores no dia 15 de julho. O objetivo, segundo Brandão, secretário-executivo da entidade, é destacar a atratividade do ABC às empresas.