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A atividade cultural mais frequentada pelos paulistanos é o cinema, visitado por 68% da população local. Em seguida, aparecem centros culturais e shows (47%), enquanto as bibliotecas (35%) ficam entre as opções que recebem menor atenção na cidade.

É o que apresenta a pesquisa “Viver em São Paulo: Cultura” da Rede Nossa São Paulo e do Ibope Inteligência, em parceria com o Sesc São Paulo, divulgada ontem (10), sobre os hábitos culturais dos cidadãos da capital. Apesar da baixa frequência em bibliotecas, mais da metade dos paulistanos (seis em cada dez) declara ter lido um livro inteiro, ou pelo menos parte dele, nos três meses anteriores à realização da pesquisa.

Os dados apontam que 59% dos paulistanos não vão ao teatro nem uma vez ao ano, configurando a atividade como a segunda menos praticada. Dos entrevistados, 58% não visitam museus, 53% não vão a shows e 52% não utilizam centros culturais. O estudo mostra que 24% da população – aproximadamente 2,4 milhões de pessoas – não frequenta nenhuma das atividades culturais abordadas.

A frequência destes hábitos se mostrou maior entre os mais jovens, de 16 a 24 anos. A exceção é em relação a centros culturais e shows de música, pois 58% dos paulistanos dessa faixa etária afirmaram não frequentar essas atividades.

As variáveis que mais diferenciam as pessoas que responderam que frequentam todos os equipamentos daquelas que afirmaram não frequentar nenhum são quatro: escolaridade, classe social, renda familiar e cor da pele.

Entre os 17% que afirmaram utilizar todas as atividades culturais estão as pessoas da classe B, com renda familiar acima de cinco salários mínimos, brancas, mais escolarizadas e moradores das regiões Leste e Sul da cidade. “A pesquisa mostra que temos uma baixa utilização dos equipamentos de São Paulo. Chama nossa atenção quando fazemos uma análise por renda. Há uma grande desigualdade. Se você tem renda, tem melhor acesso à educação e cultura. Isso é muito ruim para a cidade. Deveríamos ter acesso igual para todos”, diz o gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio.

O principal motivo apontado pelos entrevistados para que frequentem ou não as atividades são os preços. As menções aos valores são mais acentuadas nas regiões Oeste e central de São Paulo. Cerca de 4 milhões de paulistanos, 41% dos entrevistados, veem o preço dos ingressos como o fator determinante, enquanto 20%, cerca de 1,95 milhão de pessoas, afirma ser a proximidade de casa. Segundo a pesquisa, a maioria dos paulistanos (76%) diz frequentar grandes eventos públicos gratuitos, como viradas culturais, carnaval, réveillon na Paulista e afins. Entre a parcela que não frequenta, a falta de segurança e as multidões são os fatores que mais desmotivam a participação.

“A Prefeitura deve prestar atenção para atender essa demanda cultural dos cidadãos. Um dado que não está na pesquisa, mas ajudaria a aumentar o acesso aos equipamentos, seria a maior divulgação e publicidade das informações culturais. Uma agenda cultural da cidade faria com que todos se informassem sobre o que está acontecendo por aqui”, afirma Américo Sampaio.

A pesquisa “Viver em São Paulo: Cultura” entrevistou 800 paulistanos de 16 anos ou mais, em dezembro de 2017. De acordo com o Ibope, a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, sobre os resultados encontrados no total da amostra.