Publicado em

De alguma forma, as novas gerações, Y e Z, esperam mais ambientes que levem em conta méritos por contribuições individuais e que seja muito explícita a forma de reconhecer cada um. As empresas com ambientes mais participativos acabam também tendo que evidenciar melhor como reconhecem as participações, sejam elas individuais ou coletivas.

Como não há tanta habilidade para se entender como lidar com a meritocracia, todos acabam por ter expectativas não atendidas. Por exemplo, para não expor uma pessoa que fez um excelente trabalho e depois ter que lidar com a insatisfação de outros, que podem ficar chateados por não terem sido reconhecidos, muitas vezes, é melhor não dar mérito a ninguém. Por outro lado, quando se dá mérito sempre a todos no grupo, como se isso fosse uma medida de igualdade, pessoas que tem contribuição diferenciada podem ficar chateadas.

Mas, afinal, para que mesmo existe a meritocracia? Para reconhecer justamente as pessoas e suas contribuições, reforçando aspectos que se desejam manter no modo de agir para se atingir resultados. Levando, assim, a uma percepção de que o ambiente é favorável a nos manter motivados a perseguir nossas metas.

Podemos ter um ambiente meritocrático e justo que contemple méritos individuais e coletivos. Assim, se obtém o melhor da meritocracia sem estabelecer um ambiente onde haja dúvidas e conflitos.

Alguns passos podem ajudar, como a construção de critérios claros para reconhecer a contribuição individual e a coletiva; a apresentação com clareza de todos os critérios exigidos na empresa; o pedido às pessoas envolvidas que tragam suas dúvidas sobre o tema; e o estabelecimento de um processo de julgamento que possa classificar o que tem valor tanto em relação aos grupos quanto ao que se refere aos indivíduos. Mas atenção: o reconhecimento do mérito deve ser a algo diferente, que foi feito e impactou em melhoria ou inovação significativa trazendo, assim, valor para o negócio.

Ambientes meritocráticos ganham disparado na questão de serem reconhecidos como lugares excelentes para se trabalhar por pessoas mais talentosas.

Pessoas que entendem que devem apenas fazer o básico preferem ambientes sem nenhum tipo de desafio fora da média. Outra questão é que líderes autoritários detestam ter de reconhecer pessoas que não sejam eles mesmos. Assim, será muito difícil se adaptarem a ambientes que favorecem diferenciais vindos das pessoas.

Como tema atual, a meritocracia serve de apoio para a construção de ambientes menos individualistas. Isso se forem equilibrados os reconhecimentos individuais e os coletivos.

De qualquer forma, reconhecer pede um esforço por parte dos líderes que devem se preocupar para fazer chegar o mérito a quem o merece realmente. Assim teremos um impacto altamente relevante nos resultados dos negócios e nas carreiras das pessoas envolvidas.

Celso Braga é sócio-diretor do Grupo Bridge

celso@grupobridge.com.br