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A computação é onipresente. E existia muito antes de os computadores serem inventados. Os fluxos de informação da Economia e da Administração são processos computacionais. Uma receita de bolo, um roteiro turístico, as instruções de como usar uma cafeteira também são processos computacionais. Computação é uma ciência, portanto é muito mais ampla do que o estudo do computador, de programação ou de tecnologia.

A computação investiga os processos de informação, desenvolvendo linguagens e técnicas para descrever processos e métodos de resolução e análise de problemas, gerando novos processos e formas de representar a informação.

O aprimoramento e a disseminação dos computadores nos últimos 50 anos, bem como dos sistemas computacionais (redes sociais, internet, nuvens de dados, etc.), afetou o mundo sob os aspectos econômico, científico, social e cultural.

A fim de conseguir utilizar a tecnologia digital de forma adequada, é necessário que cada pessoa compreenda o seu funcionamento. É importante que se entenda o que é informação, sua importância, por que se deve protegê-la e as formas de transmiti-la.

Este universo digital traz questões envolvendo, por exemplo, direitos autorais, noções de público e privado, cyberbullying, segurança digital e compras online.

Testemunha-se os impactos de uma mudança singular de paradigma: todos os indivíduos são geradores de informação para o consumo dos demais. As fontes tradicionais de informação dão lugar a um ambiente fragmentado, com incontáveis fontes muitas vezes desconhecidas e com potencial enganador. Por meio da computação se compreende o potencial e os riscos desta realidade.

Tanto para resolver problemas em todas as áreas quanto para ter uma compreensão mais completa do mundo, todo cidadão deve dominar os fundamentos da computação, que provêm ao ser humano habilidades distintas dos outros campos de conhecimento. A computação precisa estar presente desde a educação básica. Os estudantes, assim, terão maior autonomia, flexibilidade, resiliência, pró-atividade e criatividade.

O ensino do pensamento computacional aumenta as habilidades cognitivas e poder de abstração dos alunos, pois trabalha formas de codificação e linguagens para representar informação e processos. Técnicas de análise de processos e lógica permitem o aguçamento do poder de argumentação e pensamento crítico.

Portanto, o ensino de outras áreas, como Língua Portuguesa e Matemática, que tem sido um problema no Brasil, pode se beneficiar da inclusão de computação nos currículos.

Para que o Brasil seja um protagonista no cenário global, o caminho é pela educação e desenvolvimento da capacidade criativa e de inovação. No século XXI, a computação é decisiva, e seu ensino, essencial para todos os alunos da Educação Básica, tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio.

Leila Ribeiro é professora e diretora da Sociedade Brasileira de Computação

leila@inf.urfrgs.br