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O Consórcio Patrimônio SP, formado pela empresa de engenharia Progen e o fundo de investimentos Savona, apresentou lance de R$ 110 milhões e levou a concessão do Estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo. A abertura dos envelopes sexta-feira (8).

A Progen gerenciou complexos esportivos no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas na cidade e foi a empresa que atendeu o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) durante a formatação da licitação.

Entre os demais concorrentes, havia um grupo formado pela empresa WTorre, outro formado pelo Santos e pela Universidade do Brasil e um terceiro formado pela Construtora Constru Cap. Suas propostas foram de R$ 46 milhões, R$ 88 milhões e R$ 44 milhões, respectivamente. As empresas têm cinco dias para contestar o resultado.

“O ágio de mais 200% é muito significativo. Lembrando que a gente tem não apenas o recurso que entra do investidor, mas também o recurso que a gente deixa de pagar com a manutenção do estádio. É um ganho duplo que nós vamos ter”, afirmou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) em entrevista ao DCI.

A licitação ocorreu às pressas, após o Tribunal de Contas do Município (TCM) liberar o processo no último dia 7. As empresas passaram a ser chamadas às 19h, para a sessão de abertura que ocorreu na Secretaria Municipal de Esportes, em Indianópolis, na zona sul de São Paulo.

Esta é a primeira licitação a sair no Plano Municipal de Desestatização da Prefeitura, após dois anos de governo João Doria/Bruno Covas (PSDB).

O entrave se refira a questionamentos do tribunal sobre regras da licitação. O estádio tinha sua posse pela Prefeitura contestada, uma vez que o terreno do complexo era do governo do Estado (a cessão do terreno ocorreu em dezembro). Outra questão era permissão ou não de grupos financeiros sem expertise em gestão de estádios entrar no certame.

A abertura dos envelopes estava programada para ocorrer em agosto do ano passado, mas a sessão foi suspensa pelo TCM. Como as propostas iriam caducariam hoje (11) o prefeito Covas pediu reconsideração do tribunal. O conselheiro Domingos Dissei relator do processo, votou favoravelmente, e foi seguido por outros dois conselheiros.

Voto vencido, o conselheiro Maurício Faria contestou os argumentos da Prefeitura e citou duas decisões judiciais que poderiam gerar impactos sobre o cálculo de faturamento possível com o estádio - e, assim, as propostas de possíveis interessados.

Uma era sobre a proibição de shows do complexo. Outro, sobre as regras de verticalização e uso do potencial construtivo do estádio. O presidente da Progen, Eduardo Barella, disse que essas restrições não afetam seu modelo de negócio. "Queremos trazer a população para dentro do estádio", afirmou. Após o prazo de cinco dias para a contratação dos resultados, a Prefeitura ainda fará uma análise detalhada nos documentos de cada empresa e publicará o resultado.