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O alto custo ainda é um desafio para a concretização da Linha 18-Bronze. No entanto, a região metropolitana de São Paulo pode estar mais perto de ter o projeto finalizado. A proposta de um monotrilho, estudada desde 2010 e que tem uma concessionária responsável desde 2014, voltou às pautas do governo do Estado e dos municípios nesta semana.

O projeto visa a construção de um modal de transporte público para ligar a capital paulista às cidades do ABC. Inicialmente, a Linha Bronze foi pensada como um monotrilho, que exige menos gastos que um metrô e entrega uma eficiência parecida.

Mas, mesmo optando por um modelo que exigiria menos recursos se comparado ao metrô, a iniciativa ainda enfrentaria a desapropriação de residências e estabelecimentos ao entorno do percurso e os diferentes planos diretores de cada município, o que poderia encarecer a obra.

Para o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio, é justamente esse alto valor envolvido que trava um projeto como este.

Para conseguir o melhor custo-benefício, o governo anunciou na última semana estudos para substituir o monotrilho por outro modal. Entre as opções estão o transporte rápido por ônibus (BRT), uma espécie de corredor de ônibus; ou um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), um trem que, por ter um tamanho mais compacto, pode ter sua estrutura construída sem muitas alterações no meio urbano.

“O valor de investimento inicial para qualquer uma dessas obras de integração não é baixo. Para criar o corredor de ônibus, por exemplo, você precisa adaptar as vias e, se fizer sem planejamento, pode impactar a mobilidade das cidades”, diz Maskio.

No entanto, mesmo que a viabilização do projeto tenha altos custos, para o especialista, a ligação entre a capital e o grande ABC é de extrema importância e já devia ter sido realizada antes.

Segundo ele, a região metropolitana representa 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado e são comercialmente muito ativas, o que faz com que as cidades necessitem de um investimento em massa em integração.

Na visão dele, a integração poderia ampliar as oportunidades de trabalho, já que as pessoas teriam fácil acesso a qualquer cidade da região metropolitana, e fomentar o mercado consumidor, aumentando o acesso a diferentes centros comerciais.

Nesse sentido, ele considera que o comércio do ABC pode ser um pouco prejudicado pelo mercado paulistano, que tem centros comerciais mais conhecidos, como a 25 de Março e o Brás. Mesmo assim, ele considera essa dinâmica faz parte de uma economia saudável e, por isso, a integração necessária.

Outros benefícios, segundo ele, seria para a qualidade de vida das pessoas que moram na região. Para os trabalhadores que precisam se deslocar pelas cidades e que, atualmente, gastam muitas horas no trajeto, o tempo até o destino final seria reduzido.

Além disso, o custo do deslocamento seria reduzido. De acordo com o especialista, ficar muito tempo no trânsito ou no trem tem custos. Por isso é preciso melhorar o transporte de massas.

A Linha 18 teria 15 quilômetros de extensão entre a estação Tamanduateí (Linha 2-Verde) e a estação Djalma Dutra, em São Bernardo do Campo. Contando essas duas estações, seriam 13 pontos de paradas, incluindo Santo André e São Caetano.