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A cidade de São Paulo está com 1.469.545 de desempregados, sendo que 28% deste total, cerca de 411.473 pessoas, são jovens de 16 a 24 anos em busca do primeiro emprego. Os dados são da pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo e pelo Ibope, em parceria com o Sesc São Paulo.

“O fato de que o mercado não está sendo capaz de absorver esse jovem é bastante preocupante. Dificultar essa primeira oportunidade de emprego para os cidadãos pode gerar um acúmulo de problemas para a cidade”, afirma o gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio.

Em relação ao perfil sociodemográfico dos desocupados apontados pela pesquisa, 64% vivem com uma renda familiar de até dois salários mínimos e 40% residem na região sul de São Paulo. Segundo o estudo, dois em cada dez desempregados estão sem ocupação há mais de dois anos.

Outro ponto destacado pelo gestor de projetos da Rede é que 48% dos paulistanos afirmam que não há oportunidades de emprego nas regiões onde moram, o que faz com que o tempo médio de deslocamento entre casa e trabalho seja em média de uma hora e 43 minutos.

Segundo Sampaio, a melhora na situação empregatícia em São Paulo ainda depende de muitas questões. Ele explica que as de maior impacto são as iniciativas por parte do governo estadual e federal. “Embora a prefeitura seja a mais próxima dos cidadãos, ela não consegue atuar sozinha nessa situação econômica da cidade, tanto para melhora quanto para piora”, afirma.

O gestor de projetos da Rede explica que outros dois fatores que podem pesar na situação econômica dos paulistanos são as reformas trabalhistas e da previdência. De acordo com ele, até o momento, as mudanças nas leis trabalhistas trouxeram uma piora nas condições de emprego.

Para o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Agostinho Pascalicchio, a melhora da situação econômica paulistana depende, principalmente, da recuperação do setor de serviços.

“A maior quantidade de lojas fechadas e as poucas atividades abertas pelo setor de serviços, que é a principal fonte de empregos da cidade, colaboram para o aumento do número de desocupados”, afirma o professor.

Pascalicchio considera que a melhora da situação em São Paulo vai exigir medidas sofisticadas por parte de iniciativas privadas e públicas. Além disso, ele explica que realizar a migração de trabalhadores informais, condição que cresceu com a crise econômica, para os meios formais também vai ser uma ação difícil e que pode demandar tempo.

Renda

A pesquisa também constatou que 52% dos paulistanos consideram que sua renda se manteve estável no período entre 2017 e 2018. Ainda, 31% concluíram que seu ganho diminuiu e apenas 12% que sua renda aumentou no período.

Embora o número de estabilidade seja maior que a metade da amostra, a situação ainda precisa melhorar para que a rentabilidade aumente, explica Sampaio, da Rede. A pesquisa entrevistou 800 moradores do município de São Paulo entre 4 e 21 de dezembro.