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Desburocratização e o fomento a investimentos podem ajudar o Estado a diminuir o número de desempregados. Mesmo que a atual situação econômica de São Paulo seja um reflexo do cenário nacional, políticas regionais podem impulsionar a geração de trabalho, avaliam especialistas.

Segundo o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Agostinho Pascalicchio, para melhorar os indicadores de emprego, o Estado precisa atuar, principalmente, como um agente de intermediação entre a esfera Federal e o setor privado.

“Temos instituições federais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que realizam o mapeamento dos setores que precisam de estímulo e que podem ajudar o Estado a formular suas políticas econômicas.”

Com a integração entre as gestões públicas, na visão do especialista, o Estado precisaria trabalhar na redução de impostos. Além disso, deve propiciar o ganho de escala de investimentos em infraestrutura e acompanhar a oferta de preços de produtos. “Isso para impulsionar as vendas e, consequentemente, aumentar a contratação”, diz.

Segundo um levantamento da Fundação Seade, a taxa de desemprego total na região metropolitana de São Paulo aumentou de 16,1%, em março, para 16,7%, em abril. O percentual representa um total de 1,8 milhão de pessoas, cerca de 100 mil a mais do que o mês anterior.

Para o professor de economia da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP) Orlando Assunção, considerando que a economia nacional está estagnada há alguns anos, melhorar a geração de empregos é algo complexo. Segundo o docente, a melhora do cenário deve se estruturar em investimentos, qualificação de mão de obra, liberação de crédito e economia solidária.

“É preciso ter mais investimentos públicos, privado e também um conjunto destes por meio das parcerias público-privadas (PPPs)”, afirma. De acordo com Assunção, esses aportes devem ser direcionados aos setores mais aquecidos, como o de turismo.

Sobre a qualificação e requalificação de mão de obra, o docente considera que o maior desafio é inserir no mercado jovens que buscam o primeiro emprego.

Além disso, segundo ele, as pessoas que foram para empregos informais durante a crise e que tentam voltar para o mercado de trabalho também enfrentam dificuldades atualmente.

O professor de economia da FGV EESP, Renan Pieri, também concorda que o Estado precisa criar políticas visando incluir jovens e pessoas com menor escolaridade no mercado. “Nós até temos alguns programas de treinamento, mas eles precisam ganhar escala e ficar mais acessíveis.”

Segundo Pieri, um dos desafios de recuperar a economia de São Paulo e de restabelecer os empregos é que muitos municípios dependem fortemente do setor industrial. O especialista explica que, como a indústria demanda uma grande quantidade de investimento, é natural que outros segmentos, como comércio e serviços, tenham uma recuperação mais rápida.

De acordo com um levantamento da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), a indústria paulista fechou mais de 6 mil postos de trabalho em maio.

Para melhorar o cenário, o docente considera que o Estado deve priorizar diminuir a burocracia, simplificar o sistema tributário e evitar guerras fiscais com outros entes da federação.