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A insegurança em torno da permanência da capital paulista no calendário mundial da Fórmula 1 (F1) pode ser um desafio para a desestatização e atração de investidores ao complexo do autódromo de Interlagos, na zona Sul.

O contrato com a F1, em vigor desde 1990, está com vencimento para 2020. A data próxima, somada à disputa global com possíveis novas sedes, pode fazer com que a capital paulista perca a chance de continuar na rota do evento.

Em 2017, durante a gestão municipal de João Doria (PSDB), ficou estabelecido que uma das soluções para se manter na mira da Liberty Media (grupo proprietário da F1), seria realizar a privatização do autódromo. A ideia se manteve entre as prioridades do Plano de Desestatização de Bruno Covas (PSDB), que pretende executar o projeto até o final de 2020.

No entanto, para que a medida se torne a solução para o engajamento de investidores e para a permanência da F1, a prefeitura precisará apresentar um projeto que equilibre, na medida certa, a monetização e a promoção de eventos esportivos para negociar com os interessados, explica o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Paulo Dutra.

“O autódromo oferece diversas oportunidades para as companhias lucrarem. É possível construir shoppings e outros pontos de comércio, parques e até mesmo hotéis. Isso pode fazer com que a empresa diversifique o foco dos eventos automobilísticos.”

Para o professor de estratégia do Insper, Sandro Cabral, a companhia responsável pelo autódromo também poderia investir na promoção de eventos culturais no local, o que tornaria os rendimentos mais atrativos. No entanto, ele considera que iniciar outras atividades comerciais e deixar o setor automobilístico em segundo plano não vai ser o suficiente para fechar as contas. “Um deve complementar o outro”, explica o especialista.

Além disso, na visão dos docentes, a infraestrutura da região também pode atrapalhar os planos de desestatização, principalmente o acesso ao autódromo. “Não é simples chegar ao local, o congestionamento é muito grande naquele sentido”, diz Dutra.

O professor de economia do Ibmec, Walter Franco, considera que, se a desestatização de Interlagos conciliar benefícios sociais, como a valorização da região e um bom rendimento para a empresa administradora, vai ser uma medida muito eficaz.

Segundo ele, o modelo a ser escolhido no autódromo – privatização ou concessão – precisa ser cuidadosamente elaborado. “Isso porque, muito provavelmente, a iniciativa vai servir de exemplo para venda de outros complexos que estão sob administração pública, como o Anhembi e o Pacaembu”, explica.