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Um prédio do arquiteto Oscar Niemeyer, construído nas instalações do Departamento de Ciências e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), será o piloto para experimentos de sustentabilidade.

A intenção é mostrar que práticas e técnicas sustentáveis em reformas e retrofit, como é denominada a modernização de um imóvel antigo, são viáveis e devem ser adotadas pela construção civil brasileira, inclusive em edificações públicas.

O desafio lançado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) foi transformado no Projeto Habitas, que atualizará a construção dentro do departamento, que também abriga o instituto, com o auxílio de uma equipe de estudantes de engenharia.

Segundo o coordenador do projeto, professor Wilson Cabral de Sousa Júnior, do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do ITA, o objetivo do trabalho é quebrar com antigos paradigmas do setor, como obstáculos para reformas conceituais para melhorias ambientais, e demonstrar a viabilidade de readequação dos espaços arquitetônicos e edificações em qualquer lugar do país.

Impactos

O conceito de sustentabilidade que será trabalhado no Projeto Habitas, explica o coordenador, considera a redução de impactos socioambientais e a autossuficiência, desde a concepção do projeto e escolha dos materiais às técnicas de geração e aproveitamento de energia e água. As necessidades impostas pelas mudanças climáticas estão presentes tanto no conceito como na condução do projeto, como o coordenador explica. “Essa é uma forma de contribuir para uma melhor compreensão da urgência do tema, cuja essência vai pautar a engenharia, o design e a arquitetura ao longo dos próximos anos”, observou Sousa Junior.

O Projeto Habitas contemplará a reforma de duas edificações do campus do DCTA, que envolve a Casa Niemeyer e a Casa de Cultura & Sustentabilidade. Em ambos os casos, as ações buscam mostrar as vantagens socioeconômicas de uma reforma sustentável em relação às práticas convencionais adotadas pela construção civil atualmente.

A adoção de técnicas, métodos e tecnologias para a sustentabilidade está se consolidando paulatinamente na construção civil brasileira. No entanto, no âmbito do poder público esse tema ainda carece de abordagens eficazes para a quebra de paradigmas e efetivo investimento em sustentabilidade, tanto nos novos projetos quanto nas reformas e retrofit de prédios públicos com destinações diversas. É ainda comum a ausência de elementos de sustentabilidade nesses projetos sob o argumento dos custos de implantação e manutenção” afirmou.

Certificações

Sousa Junior comentou que as metodologias empregadas no projeto estão no nível de certificação para a sustentabilidade, o Living Building Challenge, o mais alto do mundo e inédito no Brasil. “O Habitas se enquadra no contexto de superação de barreiras para universalização de métodos, técnicas e equipamentos aplicáveis à reforma de ativos edificados caracterizados como ‘Próprio Nacional’, de maneira a tornar tais edificações qualificáveis a certificações de sustentabilidade”, afirmou.

Para ele, isso implicaria em edificações com menos impacto socioambiental, maior autonomia energética e uso mais eficiente dos recursos naturais”, afirmou Cabral. Criado a partir da inquietação da comunidade do ITA, o Projeto Habitas também tem como finalidade o subsídio à capacitação de futuros engenheiros e de pós-graduados do instituto, especialmente na temática das construções sustentáveis.

Além de pesquisadores e acadêmicos do ITA, o projeto tem o apoio de especialistas do setor público e privado e empresas parceiras para a elaboração dos projetos executivos e execução das obras.