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Mais da metade (53%) dos paulistanos têm filhos que precisam de creches e 58% esperam mais de seis meses por uma vaga. É o que mostra levantamento divulgado ontem (9) pela Rede Nossa São Paulo e Ibope Inteligência.

A pesquisa “Viver em São Paulo: A Criança e a Cidade” aponta também que 71% das crianças e adolescentes da capital paulista estudam em escolas públicas, enquanto 21% frequentam instituições de ensino privadas.

Entre as famílias com jovens na rede pública de ensino, a maioria tem renda mensal de até dois salários mínimos e são pretos ou pardos. Já no caso das escolas particulares, são pessoas com renda familiar mensal acima de cinco salários mínimos e autodeclarados brancos.

O levantamento da Rede Nossa mostra que 45% dos paulistanos mora ou é responsável por crianças ou adolescentes. Além disso, destaca que a proporção de mulheres responsáveis por esses jovens é maior do que a de homens.

Entre a população que tem crianças na família, mais da metade (55%) diz que a poluição é a principal responsável pelos problemas de saúde e, de acordo com as pessoas que se descolam com elas pela cidade, a principal dificuldade é a lotação no transporte público (22%), principalmente na Zona Leste de São Paulo (27%).

O estudo ressalta a importância de um sistema de transporte que acolha melhor esse público, principalmente por conta do tempo maior gasto no deslocamento.

Vulnerabilidade

A grande maioria dos paulistanos acredita que situações de vulnerabilidade que envolvem crianças e adolescentes na cidade aumentaram em algum grau no último ano.

Oito em cada dez entrevistados (82%) notaram um aumento no número de jovens usando álcool e drogas na capital, enquanto 76% perceberam um aumento daqueles que pedem dinheiro.

Com relação ao uso de substâncias, o gerente de projetos da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio, acredita que não seja culpa das crianças e adolescentes. “É culpa de uma sociedade que não apresenta nenhuma alternativa de educação, cultura, esporte, lazer e resultado é uma ampliação do consumo de drogas e álcool”, explicou o especialista.

No período analisado, 73% afirmam que cresceu o número de crianças e adolescentes que moram na rua e metade dos paulistanos (51%) acredita que também aumentou o número de menores trabalhando.

Equipamentos públicos

A qualidade dos espaços e equipamentos públicos destinados a crianças e adolescentes também não é bem avaliada pelos paulistanos.

Para 41% dos entrevistados, os parquinhos públicos da cidade são ruins ou péssimos. Estes são os espaços que receberam a piores avaliações.

No entanto, 41% acredita que a qualidade dos centros culturais é boa ou ótima. A avaliação é parecida com as opiniões sobre bibliotecas públicas, que registraram 39% de boa ou ótima qualidade.

“Numa cidade em que a maioria das crianças e adolescentes faz uso de ensino público, é preciso que o município esteja pronto para atendê-los de forma adequada nos âmbitos educacional e cultural”, diz a conclusão do estudo.

Ainda segundo os aprendizados da pesquisa, há demanda para uma maior conscientização sobre a importância da apropriação dos espaços públicos por este público, “o que incentivaria um contato mais direto com a cidade e o pleno exercício da cidadania atualmente e no futuro”.

Para Sampaio, o levantamento mostrou aquilo que já era sabido. “A cidade de São Paulo é pouco acolhedora com as crianças. Há uma ausência de políticas públicas voltadas à primeira infância”, concluiu.