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Nos últimos dois anos, a incorporadora Magik JC alterou o destino de seus investimentos na cidade de São Paulo: perderam espaço os empreendimentos na periferia e ganhou força a aposta em habitações no centro da capital.

Hoje, quatro prédios estão sendo construídos na região, e as obras de outros quatro terão início até o começo do ano que vem. Lançado pela incorporadora, o projeto Bem Viver Centro inclui construções em algumas das áreas mais valorizados da cidade, como Frei Caneca, Consolação e Vila Buarque.

“A empresa está tentando trazer a lógica do programa [federal] Minha Casa Minha Vida [MCMV] para a região central da cidade, onde há maior oferta de serviços públicos e empregos”, explicou André Czitrom, engenheiro civil e sócio da incorporadora.

A falta de opções de transporte, hospitais e escolas costuma ser citada pelos movimentos sociais entre os principais problemas dos moradores que compraram habitações do MCMV na periferia.

As obras da Magik miram a faixa dois do programa federal. “São imóveis com um ou dois dormitórios que podem ser vendidos por até R$ 240 mil a famílias que recebam, no máximo, seis salários mínimos por mês”, disse Czitrom.

Para a empresa, o negócio é vantajoso pois está atrelado a linhas de financiamento diferenciadas da Caixa Econômica Federal. Além disso, as construções em áreas de interesse social garantem à incorporadora o direito de realizar obras que superem os limites de tamanho previstos em lei.

“Nesse tipo de empreendimento, a Prefeitura de São Paulo permite que o potencial construtivo seja até 50% superior”, afirmou o sócio da companhia. Segundo ele, esse benefício foi colocado em prática no prédio que está sendo construído na rua Frei Caneca.

Czitrom disse que todos os apartamentos colocados a venda já foram comprados. “A demanda é muito grande, existe bastante procura por habitações nessa região.”

No Paissandu

Três meses depois do desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no centro da cidade, a Prefeitura informou ontem (30) que os indivíduos acampados no Largo Paissandu deverão deixar o local até o dia 10 de agosto.

De acordo com a administração municipal, as famílias que viviam no edifício que desabou já estão sendo atendidas pelo Executivo. Uma das formas de auxílio seria o pagamento do auxílio-aluguel.

Ainda assim, algumas dezenas de barracas seguem no Largo do Paissandu, a alguns metros do local em que ficava o prédio Wilton Paes de Almeida. Segundo a Prefeitura, as pessoas que continuam no local não comprovaram que viviam no edifício.

Uma das alternativas apresentadas pelo Poder Público às pessoas que estão acampadas é a mudança para algum centro de acolhimento.

Entretanto, como o DCI mostrou nos últimos meses, as famílias do Paissandu criticam essas habitações públicas e dizem que, para encerrar o conflito, a Prefeitura deverá disponibilizar outro imóvel.