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A gestão de cemitérios e do serviço funerário na capital atrai vários empresários do setor. Eles acreditam que a modernização das operações pode garantir lucro e melhorar a qualidade do trabalho prestado à população.

Um desses executivos é Bruno Gallo, sócio-fundador da Amar Assist, uma das companhias que tem interesse em realizar o serviço funerário em São Paulo. Se obtiver a licença para operar o serviço, diz ele, a empresa vai investir em equipamentos, mão de obra e treinamentos. “O básico é fazer mudanças na infraestrutura administrativa. É possível ter menos funcionários e conseguir uma produtividade maior”, afirma o entrevistado.

De acordo com ele, o retorno desse investimento deve aparecer em até nove anos. “Para que esse serviço possa ser superavitário, é preciso resolver muitos problemas”, pondera.

Entre os pontos a serem melhorados na gestão do serviço funerário, Gallo cita a necessidade de comprar novos equipamentos, realizar treinamentos para consultoria externa e contratar bons gestores, além de dar início ao uso do marketing digital e de pesquisas de satisfação sobre o trabalho prestado.

Novos projetos

Na quinta-feira que vem (28), chega ao final o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a operação de 22 cemitérios e do crematório de Vila Alpina. Esse processo visa coletar, com representantes do setor privado, propostas para a melhora da gestão desses aparelhos, que serão concedidos aos empresários apenas em um segundo momento.

Representante do Consórcio Zion, um dos 9 concorrentes já habilitados no PMI, Adriano Napoli afirma que o principal problema do setor é a insegurança jurídica. “Hoje existem várias leis municipais esparsas, que regulam de alguma forma esse serviço. Está faltando um projeto de lei que unifique todo o entendimento jurídico para esse tema”, afirma ele.

Entretanto, o entrevistado considera o serviço “altamente rentável”. Na opinião dele, há espaço para aumentar a lucratividade do setor e, simultaneamente, resolver os principais problemas dos cemitérios, como a falta de segurança.

O Consórcio Zion é composto pela Zion Invest, gestora de fundos de investimento imobiliário, e pelo Grupo Cortel, companhia especializada na gestão de cemitérios.

Um levantamento do Tribunal de Contas do Município (TCM) constatou que ocorrem, dentro dos cemitérios, ao menos 108 furtos por mês, o que corresponde a 3,6 por dia.

A lista de concessão inclui cemitérios grandes, como Araçá, Consolação, Quarta Parada e Vila Mariana. As unidades que serão concedidas registram 45,7 mil sepultamentos e 10 mil cremações por ano e dão prejuízo anual de R$ 8 milhões aos cofres do governo municipal.