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O mês de setembro começou com uma das notícias mais tristes dos últimos tempos. Em poucas horas, no dia 3, perdemos um acervo de 20 milhões de itens, que contava a história do Brasil e do mundo. O episódio do Museu Histórico Nacional mostra que houve certa negligência por parte do governo, incapaz de se planejar para um possível acidente como este. A crítica vai também, e com razão, à desatenção que órgãos públicos dão para esses assuntos que tratam de manter a história viva na cabeça das pessoas e, assim, trazer explicações sobre como chegamos até aqui.

Que tal aproveitarmos este episódio para refletir sobre nossas organizações? Será que, assim como o governo, estamos deixando a memória das nossas empresas pegarem fogo e, consequentemente, serem perdidas no tempo? É comum ouvir frases como “sempre foi assim”, ou seja, processos ou padrões das organizações são seguidos sem sabermos porque o mesmo foi estabelecido.

Sobre isto, podemos pensar sobre como estamos mantendo essa história viva e presente para os colaboradores, sejam eles antigos ou recém-chegados. Toda empresa tem uma história, que motivou a sua existência e que, em algum momento, fez o fundador “arregaçar as mangas” para transformar a ideia em realidade.

As estratégias mudam, os anos passam e a correria do dia a dia é intensa. Saber de onde viemos e para onde vamos, seja na história da concepção da sociedade de um país ou na de uma organização, é fundamental para garantir que o presente faça sentido e se alinhe com as decisões de negócio, desde o planejamento estratégico até a escolha da equipe.

Algumas empresas já perceberam a importância de cuidar "do acervo" e evitar incêndios. Pensando nisso, o conceito de storytelling, prática de contar uma história relevante e que retém a atenção do ouvinte, tem crescido no Brasil. Pessoas se engajam mais no trabalho quando entendem como tudo começou e conseguem fazer conexão com o presente.

A perda do Museu é imensurável e a proposta é que possamos aproveitar este momento para pensar em ações e alternativas concretas para realizar nas empresas e evitar que, assim como ocorreu no governo, nos tornemos negligentes com a história e a memória de nossas organizações.

Lilian Cidreira é mestre em gestão e CEO da Future Minds Consultoria 

lilian.cidreira@futureminds.com.br