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Com o avanço do desemprego no Brasil, afetando mais as mulheres e jovens, começam a surgir organizações que auxiliam esse publico a se aventurar no empreendedorismo.

Dos 13 milhões de brasileiros desempregados cerca de 3,3 milhões estão há mais de dois anos sem trabalho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) feita pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total a proporção é maior entre a população feminina, atingindo 28,8%.

De olho nesse universo, a Laboratória – uma organização social, com origem no Peru – já formou 110 mulheres na cidade de São Paulo, conquistando uma taxa de 95% de inserção no mercado de trabalho. Além de mais de 1.200 em outros países da América Latina. A instituição oferece o bootcamp (curso) de seis meses sobre programação apenas para as mulheres.

“Elas são excelentes programadoras, mas a diversidade nesse mercado é muito baixa. Precisamos mudar esse cenário, pois apenas 10% dos programadores são mulheres”, enfatiza a cofundadora da Laboratória no Brasil, Regina Acher.

Desde a chegada da Labortatória em São Paulo no começo de 2018 já foram formadas duas turmas de 55 alunas. Em média, cada processo seletivo tem recebido mais de 3,5 mil inscrições.

“As alunas não pagam nada durante o curso. Depois de se formar e conseguir um emprego, contribuí com um percentual do seu salário para que outras mulheres possam ter a mesma oportunidade” diz a ex-aluna do projeto, Ariadne Hostins de Aragão.

Ao término de cada curso é organizado um hackathon (uma espécie de maratona de programação) com objetivo de aproximar as recém-formadas e as empresas parceiras. Ariadne conseguiu o seu emprego de “software engineer” na empresa de tecnologia Escale dois dias após o evento. Há um ano, ela já estava em situação de desemprego.

Empreender

O empreendedorismo tem sido uma das alternativas procuradas por boa parte da população feminina que não consegue se inserir no mercado de trabalho, especialmente depois de ter filhos. “O mercado de empreendedorismo tem bastante espaço, entretanto, seria importante um maior apoio das empresas já consolidadas. A maior parte das vezes é um empreendedorismo por necessidade, que ela faz para complementar a renda”, explica Regina.

A gestora de projetos da unidade Tatuapé do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Luana Polastri, diz que a maioria do público que procura os cursos é feminino, pois ela nota que as mulheres não têm medo ou vergonha de demonstrar que não sabem fazer algo.

Segundo ela, existem dois tipos de públicos que procuram os cursos do Sebrae, quem tem um negócio e quem pretende começar a empreender. Quem está começando tem dúvidas de como transformar o seu hobby ou habilidade em um negócio funcional e lucrativo. “O público que já possui um comércio busca maneira de melhorar habilidades existentes e também ajudar na administração e divulgação”. Além dos ensinamentos práticos e técnicos, em ferramentas como o Javascript e o UX Design. Elas são incentivadas a se tornarem protagonistas de suas próprias carreiras. “Tenho projetos, mas quero desenvolver isso mais para frente”, conta Ariadne.