Publicado em

As escolas privadas de São Paulo estão investindo em novas propostas de metodologias de ensino. Para se destacar e até para atender a uma demanda de mercado, diante de crianças mais ativas, as instituições estão oferecendo atividades que estimulam o pensamento crítico, resolução de problemas, trabalho em equipe e até empreendedorismo.

Essa metodologia mais participativa é chamada de “movimento maker“. A intenção é apresentar para os alunos problemas do cotidiano para que os jovens pensem, discutam e criem um projeto de resolução.

“A procura por esse tipo de proposta tem aumentado nos últimos anos. Isso porque, os próprios pais [dos estudantes] começam a se deparar com uma série de desafios que a escola em que eles estudaram não os preparou”, diz a diretora geral do Colégio Elvira Brandão, Andrezza Amorelli. Localizado em Santo Amaro, a escola está há quase 115 anos no mercado, mas foi a partir de 2015 que passou a buscar por nova identidade e metodologia.

Segundo Andrezza, hoje, além de oferecer as atividades para os alunos, o colégio está promovendo cursos para outras escolas que também querem mudar. “Recebemos a visita de mais de 50 instituições no ano passado”, diz.

O colégio Albert Sabin, no bairro Parque dos Príncipes, na zona Oeste, também implantou o movimento maker na área de ciências do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. “Nós queríamos dar mais vida para os laboratórios e para as aulas”, explica o assessor de ciências do colégio Albert Sabin, Leandro Holanda.

Ele considera que, com a metodologia, os alunos ficam mais interessados na aprendizagem e têm mais pensamento crítico, habilidade importante para o mercado de trabalho e até mesmo para a obtenção de melhores resultados no vestibular.

Espaço “maker”

O colégio está no mercado desde 1993, mas foi em 2016 que decidiu buscar alternativas metodológicas. Em 2017, a escola iniciou a construção do espaço maker, projetado em uma ação conjunta entre arquitetos e os professores da instituição. Segundo Holanda, habilidades em execução de projeto, análise e trabalho em grupo estão sendo cada vez mais valorizadas pelo mercado. Isso faz com que a procura por instituições que fomentem essas características em jovens e crianças sejam cada vez mais procuradas.

Para a professora de sociologia da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP), Crislaine de Toledo-Plaça, a tendência é que mais instituições passem a incluir o movimento maker em suas aulas, incluindo as universidades. No entanto, a especialista enfatiza que, embora sejam habilidades positivas, o ensinamento de conhecimentos essenciais, como linguagem e cálculo básico, não devem ser deixados de lado. Ambos precisam se complementar.