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A reação armada a roubos e outros tipos de crime deve ocorrer apenas em último caso, mesmo que a vítima seja um policial fora de serviço ou possua treinamento militar. É o que indicam especialistas e estudos do setor.

Associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani defende que policiais fora de serviço devem ter essa escolha como opção derradeira. “Se não houver outra saída para a situação, caberá o uso da arma. Foi o que aconteceu na escola de Suzano”, afirma ele.

Ele se refere ao caso que ocorreu no último sábado (12), quando uma policial militar fora de serviço reagiu a um roubo no interior de São Paulo. Ela atirou em um homem armado que ameaçava um grupo de mulheres e crianças na frente de uma escola. O criminoso morreu e ninguém se feriu.

“Essa é sempre uma opção arriscada. Nesse caso, por exemplo, o criminoso podia ter atirado de volta e ferido alguém”, pondera Alcadipani. Ele ressalta que muitos casos tiveram um desfecho diferente do de Suzano.

Foi o que aconteceu na manhã de segunda-feira (14), quando um delegado da Polícia Federal (PF) foi morto em sua casa, na zona sul de São Paulo, depois de reagir a um roubo.

De acordo com dados do Instituto Sou da Paz, ao menos 7 em cada 10 policiais mortos na capital paulista em 2013 e 2014 estavam fora de serviço, enquanto apenas 7,5% das fatalidades ocorreram durante o atendimento de ocorrências. Em 22,5% dos casos, faltaram informações para precisar a situação dos policiais.

Já as estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que quase 300 policiais fora de serviço foram mortos durante o ano passado no Brasil. Segundo a análise, parte dos profissionais mortos reagiu a roubos e outros tipos de crime.

Civis armados

Sobre o uso de armas por civis, Alcadipani é enfático: “não devem reagir nunca”. Segundo ele, mesmo indivíduos que possuam alguma forma de treinamento devem evitar ao máximo esse tipo de opção.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) realizado em 2000 mostra que a chance de pessoas armadas serem mortas durante crimes é 56% maior que a de indivíduos desarmados na mesma situação. O estudo também indicou que as vítimas de latrocínio que tentaram reagir evitaram desfechos fatais em apenas 13,8% dos casos.

Preparação da polícia

Na visão de Alcadipani, o treinamento da Polícia Militar de São Paulo é superior ao visto em outras regiões do País, mas poderia ser melhorado.

Questionada sobre a atuação dos policiais fora de serviço, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado não respondeu até o fechamento desta edição.