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(Matéria alterada para correção de informação. Carolina Ricardo é diretora executiva do Instituto Sou da Paz e não Caroline, como informado anteriormente. Segue a íntegra corrigida)

O Estado de São Paulo tem a menor taxa de homicídios do País (9,5), de acordo com a pesquisa divulgada ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em relação a ano passado. Em âmbito nacional houve uma redução de 10,4% dos casos relatados.

Foram registrados 57,3 mil homicídios no Brasil ao longo de 2018, o que corresponde a uma média de 157 casos por dia. Se comparamos com os dados divulgados pela entidade, que compila dados a partir dos registros policiais de cada Estado, em 2017 a redução foi de 10,4%, lembrando que naquele ano foi o recorde do país, com mais de 64 mil assassinatos.

“São Paulo é um estado que já vem há muito tempo apresentando uma redução nos índices de homicídios”, diz a diretora executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo.

De acordo com ela, um dos fatores que auxiliaram São Paulo a ter a melhor taxa do País é o fato de que o Estado atua em conjunto com prefeituras municipais para uma melhor solução dos problemas com a segurança pública locais. Outro ponto importante é a integração entre as polícias Civil, Militar, Federal, Científica e Rodoviária Federal.

“Um exemplo de ação que ajudou a reduzir os índices criminais no Estado foi a Lei dos Desmanches, aprovada em 2014, que gerou certo impacto nos roubos de automóveis”, afirma Carolina.

O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Elisandro Lotin, confirma que São Paulo segue uma tendência de redução ao longo dos últimos anos. “Outro fator é que não há disputa entre facções criminosas em São Paulo há alguns anos, pois o Primeiro Comando da Capital (PCC) domina”.

Ele acrescenta que a redução tem vários fatores, assim como os crimes possuem uma dinâmica multifacetada, a redução também possui. “Em 2018, a economia apresentou uma melhora significativa em comparação ao ápice da crise entre os anos de 2013, 2014 e 2015. A melhora econômica ajuda na redução dos crimes no País”, explica Lotin.

Porte de Armas

Desde o início da campanha em 2018, o presidente Jair Bolsonaro defende a flexibilização da posse e porte de armas. O Projeto de Lei 3.713/2019 foi um dos principais temas abordados pelo Senado no primeiro semestre deste ano. Atualmente está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). “Não tenho a menor dúvida de que, em caso de aprovação desse PL, vai ocorrer uma reversão do processo de redução da violência. Digo isso como pesquisador e como policial militar que sou”, enfatiza Lotin.

Ele explica que todos os dados nacionais e internacionais mostram que quanto mais armas mais mortes. “É na verdade uma forma do Estado se omitir da responsabilidade da segurança pública a passando para a população civil.”

Outro dado que demonstrou um aumento foi em relação ao feminicídio, que cresceu 4% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 1.206 casos. “As mortes causadas por armas de fogos foram as maiores responsáveis pelo aumento dos números de mortes de mulheres em 2018”, afirma Carolina. A diretora executiva concorda com Lotin.

“As pesquisas apontam que mais armas significam mais mortes. O número de conflitos banais, no qual as pessoas perdem a cabeça, aumentariam significativamente”, acrescenta Carolina.