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São Paulo - Um levantamento inédito sobre a emissão de gases de efeito estufa na região do ABC mapeou os fatores e as atividades que mais contribuem para a poluição em cada uma das sete cidades da região.

Segundo o Secretário de Gestão Ambiental de São Bernardo do Campo e coordenador do Grupo de Meio Ambiente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, João Caetano, o levantamento vai ajudar as futuras gestões municipais a realizar políticas públicas mais efetivas para mitigar estes gases poluentes. "Esse tipo de estudo é feito apenas em algumas capitais do Brasil, e a região do ABC, por ter um polo industrial forte, carecia de políticas mais direcionadas", disse.

O Inventário Regional sobre Emissões de Gases de Efeito Estufa, apresentado na sexta-feira, foi realizado pelo Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (Iclei), e contou com a ajuda de técnicos de diversas áreas: meio ambiente, defesa civil, resíduos sólidos, transporte e energia. O levantamento apontou que o ABC, um dos maiores polos industriais da América do Sul, tem como principal vilão exatamente as indústrias (60%). Juntas, as cidades concentram 243 fábricas. Em seguida aparecem energia (27%) e resíduos sólidos/efluentes líquidos (13%).

Transporte

Segundo o Gerente de Mudanças Climáticas do Iclei, Igor Albuquerque, quanto maior o PIB da cidade analisada, maior o impacto dos transportes na emissão de gases de efeito estufa. "São Bernardo do Campo e Santo André são as cidades que mais contribuem para a poluição do ABC devido ao seu elevado desenvolvimento econômico", comentou Albuquerque. A cidade que possui a maior frota de veículos poluentes é São Bernardo do Campo (35%), seguida por Santo André (28%). Diadema e Ribeirão Pires empatam com 11% cada.

Segundo Albuquerque, caminhões leves, pesados e automóveis são os principais fatores de poluição no ABC. "Embora os caminhões leves possuam um fator de poluição menor que caminhões pesados, os veículos da primeira categoria são muito superiores na região do Grande ABC, com 142.452 unidades, enquanto a segunda apresenta 48.508", explicou.

Energia e resíduos

A cidade que mais consome energia, proveniente de diversas fontes, é Santo André (38%), seguida por São Bernardo (27%) e Ribeirão Pires (15%). A atividade que mais contribui para a poluição local é a indústria (65%). Em segundo aparecem as residências (21%) e o comércio (13%). As emissões de gases de efeito estufa com origem em aterros sanitários ocorrem em maior proporção em São Bernardo do Campo (30%), Santo André (28%) e Diadema (14%). Os resíduos sólidos são responsáveis por 78% da poluição, e os efluentes líquidos, por 22%.

A reportagem do DCI procurou as prefeituras de Santo André e São Bernardo do Campo para comentar os dados levantados, mas nenhuma delas respondeu até o horário de fechamento desta edição.

Segundo Albuquerque, as prefeituras já têm planos de mitigação de gases de efeito estufa, mas não conheciam, até então, seus pontos críticos. "Com o levantamento será possível elaborar planos mais específicos. As cidades do Consórcio terão até 2020 para colocar em prática um plano de ação", disse.