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Frequentadores da Feira da Madrugada, no Brás, terão de esperar até agosto de 2020 para conhecer o novo centro de compras que está em construção na Avenida do Estado e promete ser o maior da América Latina, com mais 4 mil boxes, cerca de 1 mil lojas e 20 mil funcionários.

O investimento previsto apenas para a conclusão da primeira etapa do projeto, iniciada em 2018, é de R$ 500 milhões, o que inclui o Centro Popular de Compras com características modernas, acessibilidade em todos os pavimentos e um sistema circular de ônibus que fará a integração com outras áreas comerciais da capital, como as ruas Santa Efigênia, 25 de Março e o bairro do Bom Retiro.

Só o estacionamento do novo centro de compras contará com vagas para 315 ônibus e para mais de 2,4 mil veículos. No total, o megaempreendimento ocupa uma área de 182 mil m². Está no projeto também uma praça de alimentação com 1,2 mil lugares. Na segunda etapa das obras, o projeto contará com um prédio com salas comerciais, um hotel e com a restauração de um prédio da antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).

Vencedor da concorrência pública lançada pela Prefeitura em meados de 2016, o Consórcio Circuito das Compras São Paulo S.A.será o administrador do espaço por 35 anos. No projeto, o horário de funcionamento será estendido das 2h às 22h.

Na versão atual, a feira que funciona nas imediações do Largo da Concórdia, recebe em média 25 mil pessoas diariamente, sempre entre 2h e 8h, quando o comércio do bairro começa a abrir as portas. “Cabe ao Consórcio Circuito das Compras a implantação, operação, manutenção e exploração econômica do empreendimento compensando a Prefeitura de São Paulo com parte das receitas, conforme previsto no contrato de concessão”, informou a assessoria de imprensa do Consórcio, que não respondeu aos pedidos de entrevistas da reportagem do DCI.

Trabalho informal

Dados do IBGE apontam que o Brasil tinha, em 2018, 32,9 milhões de pessoas trabalhando sem carteira assinada. Os dados também mostram uma crescente anual, desde o início da crise econômica em meados de 2015.

“O comércio ambulante gera uma concorrência desleal com o varejo, por isso é preciso formalizar”, aponta o economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo Solimeo, o regulamento em relação a microempreendedores tem mudado, mesmo assim, existem dificuldades para que um vendedor ambulante consiga aderir à regularidade. “Esse processo está sendo bastante simplificado pelo MEI. A tributação do Simples também está mais favorecida e novo local vai facilitar ainda mais a locação desses microempreendedores.”

A Feira da Madrugada possui uma história com a cidade que começou em 2001 e ficou conhecida por vender roupas e calçados a preços populares, mas de procedência duvidosa e sem nota fiscal. Na opinião de Solimeo, a ideia de um centro de compras para abrigar comerciantes e não apenas replicá-los é positiva. “É importante pagar os impostos, e também saber a origem dos produtos vendidos”, diz ele.

A expectativa de que o projeto gere mais de 20 mil empregos também é positiva na avaliação do economista. “A geração de empregos aumenta a receita do Estado, a renda da população e isso gira a economia”, comenta.