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O fomento à economia criativa pode ajudar a capital paulista a recuperar a geração de emprego e de renda. A cidade tem uma estrutura cultural pronta, com roteiros de atividades, teatros e casas de show, o que facilita a consolidação do segmento e o ganho de receita.

A análise é do professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Agostinho Pascalicchio. “Demonstrar criatividade diante da crise é essencial”, diz.

Atividades que abrangem criatividade, como arte e cultura, e que ao mesmo tempo possuem valor agregado – seja como um produto ou serviço – fazem parte do conceito de economia criativa. De acordo com a prefeitura, o segmento movimenta cerca de R$ 40 bilhões por ano, quase 10% do PIB do município paulista.

Para fomentar ainda mais esse segmento, na última semana, a prefeitura anunciou um investimento de cerca de US$ 500 mil, em conjunto com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). O aporte será distribuído ao longo de 18 meses em diversas regiões da cidade.

A intenção da prefeitura é, principalmente, descentralizar as iniciativas culturais, promover a formação de jovens em situação de vulnerabilidade social na área e ajudar na criação de novos negócios e empresas.

Segundo Pascalicchio, a cidade possui instituições culturais na periferia com vontade de atuar no segmento. “Nesse sentido, o investimento anunciado será muito positivo”, explica.

Para o especialista, no entanto, o valor do aporte ainda é muito singelo para, de fato, impulsionar a economia criativa. “Essa iniciativa ainda vai precisar de mais apoio”, afirma o docente.

De acordo com o ele, para o segmento ganhar força e gerar um impacto maior na economia, o município precisa conduzir o tema como inovação. “Nós ainda estamos presos em um padrão de produção e venda de arte, sejam pinturas, fotografias ou outro produto. Economia criativa é mais do que isso”, explica.

Pascalicchio considera que, assim como toda iniciativa inovadora, o segmento deve e pode criar soluções para o cotidiano do cidadão. Além disso, segundo ele, precisa promover a sustentabilidade e gerar recursos. Para a coordenadora do curso de economia criativa e cidades criativas da FGV, Ana Carla Fonseca, em todas as gestões municipais que São Paulo já teve, o tema nunca foi estruturado como política pública. “Somente na última administração [de Bruno Covas] o tema tem começado a ganhar espaço”, afirma.

Isso porque, de acordo com ela, embora seja um segmento de extrema importância para o município, o conceito ainda é muito amplo e não tem uma definição única. “Se mistura com as economias da cultura, do conhecimento, com a solidária, entre outras. A própria gestão pública tem dificuldades em entender o tema.”

Essa incompreensão, segundo a especialista, dificulta o planejamento de estratégias de fomento. No entanto, Ana Carla também considera que a capital tem grande potencial para o desenvolvimento do segmento e acredita que as políticas públicas nesse sentido podem se manter nas pautas do município.

Assim como a capital, o governo do Estado também tem sinalizado que a economia criativa terá mais apoio público. Em abril, o segmento ganhou o Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa. A intenção do órgão é propor diretrizes e estruturar ações para o fomento do setor nas cidades paulistas.