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(Matéria alterada para correção de informação. O programa da Unilever com o Pão de Açúcar já coletou 111 mil toneladas de resíduos e não mais de mil toneladas, com informado anteriormente. Segue a íntegra corrigida)

O Estado de São Paulo está se empenhando para reduzir a produção de lixo e processar melhor seus resíduos. No entanto, ainda são necessários mais ações e apoio do Poder Público para dar escala à economia circular em grandes e pequenas empresas.

Algumas empresas têm adotado a economia circular como um modelo estratégico para reutilizar ou reciclar materiais. De acordo com o responsável da área de sustentabilidade da Unilever Brasil, Antonio Calcagnotto, a ação diminui os resíduos gerados, pode reduzir custos e atrair mais público. No entanto, segundo ele, o conceito ainda precisa ser mais abraçado pelas companhias.

De acordo com o executivo, um dos principais desafios para difusão do conceito é que os produtos reciclados quando voltam para as prateleiras ganham nova tributação. “Fazer produtos com materiais reutilizados já costuma ser mais trabalhoso do que lidar com matéria ‘virgem’. Saber que, além disso, também haverá tributação afasta as empresas”, explica.

Em parceria com o Pão de Açúcar, a Unilever mantém diversos pontos de coleta de materiais recicláveis espalhados por São Paulo. Conforme Calcagnotto, o programa existe desde 2001 e já coletou 111 mil toneladas de resíduos. Além disso, a empresa tem diversas linhas com embalagens feitas a partir de materiais recicláveis.

Para a responsável da área de sustentabilidade e comunicação da Danone, Ligia Camargo, entre os desafios que as empresas enfrentam para administrar melhor seus resíduos estão a dificuldade logística e a falta de políticas tributárias e incentivos.

“Embora esse seja um tema que é pautado há anos e que, no Brasil, nós tenhamos uma legislação que obriga as empresas a reciclarem parte de seu lixo, o reaproveitamento de materiais ainda não está em um cenário forte.”

Ela pontua que a implementação de uma logística reversa (sistema onde os resíduos são reaproveitados de algum modo na cadeia produtiva) é algo que envolve diversos atores. Segundo Ligia, as empresas, os governos e os consumidores precisam se conscientizar melhor, para assim, dar fôlego às iniciativas sustentáveis.

Desde 2012, a Danone tem o programa Novo Ciclo, que fomenta a venda de materiais reciclados processados em algumas cooperativas mineiras e paulistas para os fornecedores da companhia. Com isso, a iniciativa visa aumentar o ganho dos catadores. Em São Paulo, são quatro redes de cooperativas e 200 catadores integrados.

A responsável pela área de criação de valor compartilhado e comunicação corporativa da Nespresso no Brasil, Cláudia Leite, também considera que o que poderia ajudar a dar escala aos processos de logística reversa é fazer com que cada ator dessa cadeia (público, privado e consumidor) entenda a importância de seu papel e da iniciativa.

A Nespresso tem cerca de 90 pontos de coleta de suas cápsulas de café no Brasil, sendo 62 só no Estado de São Paulo. Os materiais coletados são processados e voltam para a cadeia produtiva da companhia. Além disso, para reduzir a emissão de gases poluentes, na capital paulista a empresa está realizando a entrega de produtos novos e coleta de usados por meio de bicicletas.

Para fomentar que outras empresas também promovam iniciativas sustentáveis e para que os consumidores tomem consciência do projeto, Cláudia diz que os centros de reciclagem da Nespresso estão abertos para visitação há pouco mais de um ano. Até o momento, os locais já receberam mais de mil pessoas.

É justamente seguindo o exemplo de empresas que já atuam com logística reversa, que outras também se interessam pela economia circular. A análise é da presidente da rede Catavale, que engloba nove cooperativas de reciclagem e é uma das parceiras da Danone em seu projeto Novo Ciclo em São Paulo, Maria Angela Gonzaga. A executiva considera que, do final de 2018 até o momento, as empresas passaram a dar mais atenção aos processos de logística reversa e ela está confiante de que esse comportamento deva continuar pelos próximos anos.

Pequenas

Embora a maior parte dos processos de logística reversa sejam realizados pelos grandes grupos empresariais, também há companhias menores que atuam diretamente com as iniciativas sustentáveis. A Triciclo é uma delas. A empresa espalhou pontos de coleta de materiais recicláveis em locais estratégicos da região metropolitana de São Paulo. As pessoas que escolhem deixar seu lixo em um desses locais podem juntar pontuações (que mudam dependendo do material, como plástico e alumínio) e trocar por produtos ou serviços de companhias parceiras.

Para o sócio-diretor da empresa, Felipe Cury, a iniciativa privada tem começado a apostar mais em logística reversa. Tanto criando suas próprias ações quanto procurando por companhias como a Triciclo para fazer uma parceria.

Entretanto, segundo ele, ainda é preciso investir em uma maior conscientização da população e também das empresas. “Muitas companhias não cuidam de seus resíduos da forma que deveriam”, diz.