Publicado em

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmar que há “99% de chance ou mais” de o Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil ser transferido para o Rio de Janeiro em 2021, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmaram que o GP vai permanecer na cidade.

Durante encontro na tarde de ontem, no Palácio dos Bandeirantes, com o CEO Mundial da Fórmula 1, Chase Carey, e com o promotor do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, Tamas Rohonyi, Doria disse que o Brasil tem uma enorme pressão na Fórmula 1 e Interlagos tem uma tradição. “Ao longo desses quase 40 anos, apenas três não foram realizados no Autódromo Internacional de Interlagos.”

Doria disse respeitar o desejo legítimo do Rio de Janeiro de querer levar o GP Brasil para a cidade, mas lembrou que São Paulo está mais estruturada para atender às necessidades dos turistas que desembarcam na capital. O prefeito Bruno Covas também afirmou ter certeza de que a prova de automobilismo ficará na cidade. “O nosso autódromo é preparado, seguro, tem um traçado que os pilotos qualificam como um dos cinco melhores traçados do mundo.”

Segundo Chase Carey, para a Fórmula 1, o mercado brasileiro tem uma enorme importância. O CEO reconhece que as provas realizadas em Interlagos sempre foram as mais interessantes do campeonato e espera que neste ano, em novembro, possa continuar esta tradição.

Questionado se a amizade com o presidente da República sofreu algum arranhão após Bolsonaro ter dito que governador deveria “pensar no País”, alegando que “a imprensa diz que ele será candidato à Presidência em 2022”, Doria respondeu que de sua parte, a amizade não está abalada.

“Sou brasileiro, presidente Bolsonaro, e como tal estou cumprindo a minha obrigação”, disse Doria. “Tenho obrigação de defender todos os interesses que competem ao Estado de São Paulo. Não creio que no tema da fórmula 1 tenhamos de colocar temas políticos ou eleitorais.”

Na segunda-feira, a equipe da F1 se reuniu com Bolsonaro e o governador do Rio, Wilson Witzel, em Brasília. “Quero registrar meu total respeito ao presidente Bolsonaro. Nossa ação aqui não significa, em nenhuma hipótese, desrespeito ou desafio ao presidente ou ao Rio de Janeiro”, afirmou o governador paulista. “Lamento frustrar o presidente Bolsonaro, mas a decisão da Fórmula 1 não está tomada.” O CEO Mundial da Fórmula 1 ressaltou que está “engajado” em conversas com São Paulo e Rio de Janeiro para manter o GP do Brasil.

Tradição

O Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 acontece todos os anos, desde 1972, no Autódromo José Carlos Pace, mais conhecido como Autódromo de Interlagos, na zona sul da cidade. A exceção foram os anos de 1978 e 1981 a 1989, quando as corridas foram disputadas no Autódromo de Jacarepaguá (Autódromo Internacional Nelson Piquet). Desde 1973, o prêmio faz parte do campeonato de Fórmula 1 e, desde 1990, é realizado em São Paulo de forma ininterrupta.

Apenas no GP disputado em 2018, o circuito de Interlagos recebeu 150.307 mil espectadores, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior, que foi de 141.218 pessoas. Segundo a Associação da Indústria de Hotéis de São Paulo, o setor hoteleiro tem lotação entre 85% e 100%. No ano passado, o impacto econômico para a cidade de São Paulo foi de R$ 334 milhões, segundo Covas.