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O 8º Boletim IndústriABC foi divulgado ontem (27) pela Universidade Metodista de São Paulo, tomando como referência o último semestre de 2017.

Os resultados são recortes da região do Grande ABC de pesquisas realizadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP).

Como a indústria representa 23,2% do PIB da região, o indicador é importante para a avaliação da atividade econômica do setor. O Boletim IndústriABC é formado a partir de pontuações que indicam pessimismo (0 a 50), indiferença (50) e otimismo (50 a 100 pontos) da indústria.

Os dois indicadores básicos que compõem o informativo, Sondagem Industrial (SI) e Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), apresentaram melhores pontuações em comparação aos resultados obtidos em âmbito nacional. O ICEI bateu 65,6 pontos no ABC; o Brasil recebeu 59,3. O cenário “Condições da Empresa” também está mais promissor na região, com 62,5 pontos e 54,1 no país. As “Expectativas em Relação à Economia Brasileira” chegaram a 67,5 no ABC e 58,5 no Brasil.

“Os dados apontam para uma retomada da atividade do setor”, afirma o professor e economista Sandro Maskio, coordenador de estudos do Observatório Econômico da Metodista. Em oito dos 12 meses de 2017, a indústria da região apresentou aumento da produção, o que traz confiança aos gestores e industriais. “Após longa retração, uma pequena melhora tem grande capacidade de melhorar as expectativas”, comenta o professor.

Resultados

O aumento do uso da capacidade instalada foi destacado por Maskio. A região avançou mais na redução da ociosidade do que a indústria brasileira, já que ambas estavam em 64% no mês de dezembro de 2017. O índice apresentou também uma retomada da intenção de realizar investimentos, com 52,5 pontos.

A perspectiva de evolução das exportações mostrou um otimismo regional. Segundo o professor e economista, a desvalorização do real trouxe uma posição cambial um pouco mais favorável às exportações. “A indústria automobilística também tem melhorado nesse quesito no último ano. Isso traz impactos para as regiões onde estão presentes”, explica. Essa perspectiva ficou com 72,2 pontos no indicativo.

Com os resultados apresentados, é esperada uma melhora ainda maior para os próximos trimestres, porém de forma mais lenta. “Acredito que o ambiente político de pré-eleição irá desacelerar o processo de retomada. Vamos melhorar, mas em um ritmo menor do que poderíamos”, conclui Sandro Maskio.