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Em Guararema, no interior paulista, devido aos ataques às agências de bancos, algumas ruas foram interditadas e comerciantes preferiram não abrir seus estabelecimentos. Além disso, algumas escolas decidiram não abrir pelo período da manhã.

Na cidade, algumas escolas não iniciaram as aulas no horário normal nesta quinta. De acordo com Aline Cristina de Faria, funcionária terceirizada da prefeitura, o transporte de alunos foi afetado e, sabendo do ataque, os pais não mandaram os filhos para aulas. “Eu só fiquei sabendo de manhã, mas uma vizinha que mora em um sobrado, ao lado de casa, viu tudo”, diz. Segundo ela, o departamento de trânsito interditou algumas ruas do centro por segurança pela manhã. Por volta das 9h30, várias ruas do centro, entre elas a Rangel Junior, onde fica o Banco do Brasil, e a Major Paula Lopes, onde fica o calçadão e o Santander, estavam interditadas. Em seis pontos, os criminosos lançaram “miguelitos”, pregos retorcidos para furar os pneus dos veículos em caso de perseguição. Uma viatura da PM teve os pneus furados.

Parte do comércio continuava fechada por volta das 10 horas. Algumas lojas anunciaram que só iriam abrir à tarde. A estrada de acesso à Pedra Montada, ponto turístico da cidade, também estava fechada no horário. Foi ali que os policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) encontraram os criminosos em fuga e matou sete suspeitos. Dois carros deixados pela quadrilha estavam cheios de explosivos.

Monitoramento

A quadrilha era monitorada há pelo menos nove meses pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Sorocaba, interior de São Paulo. Com o monitoramento, os promotores conseguiram informações sobre possíveis ações dos criminosos e sabiam que o grupo tencionava assaltar bancos na região do Alto Tietê, onde fica Guararema.

Isso explica a intervenção da PM com o assalto ainda em andamento e a rápida chegada das equipes da Rota. O monitoramento foi confirmado pela assessoria do Ministério Público de São Paulo, mas as investigações estão sendo mantidas em sigilo. A investigação ganhou corpo após a prisão de nove integrantes de uma quadrilha, em Cerquilho, em 14 de setembro de 2018. Após interrogatório, o Gaeco obteve elementos para monitorar grupos que agem no interior. Em dois anos, foram registrados 202 ataques com explosivos a bancos no Estado de São Paulo. Foram 100 ataques em 2017 e 102 em 2018, segundo a SSP. Os alvos foram caixas eletrônicos ou os cofres das agências.