Publicado em

O bom desempenho dos ativos nos mercados internacionais abriu espaço para mais um dia de recuperação do Ibovespa. O índice encerrou em alta de 2,19% aos 77.929,68 pontos, mas com giro financeiro abaixo da média mensal, fechando em R$ 7,4 bilhões.

Apesar do segundo dia consecutivo de alta, analistas de renda variável asseguram que esse movimento está longe de ser uma tendência, uma vez que a volatilidade se impõe ao mercado acionário brasileiro, pois segue com a “espada na cabeça” – em referência às incertezas que cercam a corrida eleitoral.

No entanto, do ponto de vista gráfico, caso o índice conseguisse passar o patamar dos 78.800 pontos nos próximos dias seria possível ganhar alguma tração.

O movimento de compra encontrou suporte no bom desempenho dos mercados lá fora que reagiram à menor tensão com a guerra comercial, principalmente após o anúncio de um acordo bilateral entre Estados Unidos e México, anunciado pelo presidente americano, Donald Trump. O entendimento será submetido ao Congresso americano na próxima sexta-feira.

Além disso, também foi visto como positiva a perspectiva de retomada das conversas com o Canadá. Também houve reação ao anúncio do governo chinês de reintroduzir o “fator contracíclico”, para determinar a paridade da moeda yuan diante do dólar, evitando saída de capitais e mostrando certa boa vontade com os EUA.

A valorização das blue chips do bloco financeiro não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas no mês de agosto.

Itaú Unibanco PN fechou em alta de 3,32%, mas, no mês, ainda perde 2,76%. O mesmo ocorre com Bradesco PN, que subiu 2,68%, mas em agosto cai 4,70%. Banco do Brasil ON avançou 3,07%, mas segue desvalorizado em 5,26%, e as Units do Santander avançaram 2,60%, mas recuam 4,69% na avaliação mensal.

Na contramão Vale ON teve ganhos de 2,81%, e segue valorizada em agosto (4,03%).

Mercado cambial

O enfraquecimento do dólar no mercado internacional favoreceu um novo ajuste da moeda americana ante o real, que ontem fechou em baixa de 0,59%, cotada a R$ 4,0812.

A queda ocorreu em meio a um ambiente de cautela dos investidores e agentes do comércio exterior, o que se pôde ver no volume de negócios reduzido, com US$ 671 milhões movimentados no “spot”, pouco mais da metade do volume de um dia normal.

Apesar dos ajustes, são cinco sessões em que a divisa é negociada acima de R$ 4, acumulando alta de 8,68% em agosto. As incertezas do cenário eleitoral doméstico são o principal combustível dessa escalada, com contribuição também da volatilidade recente no mercado internacional.

“O dólar vinha num crescente, mas o movimento se esgotou porque era em boa parte especulativo. E o BC não interveio, mostrando que não estava preocupado”, disse Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil Serviços.

Os juros futuros fecharam a sessão de ontem em baixa nos principais vértices da curva.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 8,45%, de 8,50% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 recuou de 9,68% para 9,61%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou a 11,18%, de 11,27% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 11,99% para 11,89%. /Estadão Conteúdo