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- Quando falamos de inclusão de PcD (Pessoas com Deficiência) no mercado de trabalho, se faz necessário entender que a cultura social marcada pelo assistencialismo, a caridade e a falta de informação pautaram nossa relação com o tema e ainda há muito o que superar para "desconstruir" o ciclo de "invisibilidade social" ao qual estão submetidas. Segundo este conceito, as pessoas com deficiência são escondidas dos demais, tornando-se invisíveis a seus olhos, não constituindo, portanto, problema na comunidade em que vivem. Se não são um problema social, e sim familiar, não há preocupação em oferecer os serviços a que têm acesso os demais cidadãos. Se não são cidadãos, acabam discriminados e afastados pela família do convívio social. Com isso, o círculo vicioso recomeça e não se rompe.

Ao nos deparar com essas pessoas, a nossa atitude revela não só nossas crenças e valores individuais, como também o contexto social em que vivemos. Por meio de condicionamento cultural, aprendemos os preconceitos e reproduzimos estigmas, de acordo com cada momento histórico. Dessa forma, a trajetória histórico/cultural das pessoas com deficiência reflete como se desenvolveram os valores da humanidade e nos ajudam a entender os motivos pelos quais um dia condenamos ao extermínio membros imperfeitos e hoje estamos aprendendo a conviver com a diversidade humana.

Podemos dizer, entretanto, que nos últimos 14 anos, desde que se iniciou a fiscalização para que as empresas cumpram a Lei de Cotas (8.213/91), houve conquistas. Hoje os PcD participam de seleção conhecendo seus direitos, buscam melhoria profissional, contribuem com a renda familiar e, em muitos casos, são arrimo de família. Já os profissionais de RH tiveram de rever seus conceitos, o que tem melhorado a qualidade das relações nas empresas.

O PcD deve ser contratado por sua capacidade e as adequações para o desempenho da função devem ser encaradas como um investimento para melhorar processos. Cumprir a legislação, porém, exige trabalho contínuo na busca e retenção de profissionais.

A compreensão das dificuldades possibilitou o diálogo entre os parceiros e gerou avanços como a Instrução Normativa nº 98, que estabelece a possibilidade da lavratura do Termo de Compromisso para que empresas ou segmentos que tenham dificuldades em cumprir cotas possam, dentro de um prazo, desenvolver ações para cumprir a lei, mantendo a qualidade da inclusão.

O segmento do comércio varejista de gêneros alimentícios é um dos que adotaram a prática e muitas empresas se dispõem a promover a transformação cultural por meio da relação entre os trabalhadores e os clientes. Adotar uma postura inclusiva e divulgar isso ao consumidor ajuda a estimular a reflexão sobre o respeito à diversidade e aos direitos das pessoas com deficiência. Assim, fica mais fácil compreender e valorizar a inclusão, enxergando-a como algo natural, não uma exceção.

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Sincovaga

pedagoga e consultora