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Os municípios do interior paulista ainda estão se desprendendo dos modelos tradicionais de empreender e investir. Segundo especialistas, os moradores dessas regiões estão começando a se conscientizar de que é possível estabelecer carreira, criar startups e tecnologias nas cidades em que nasceram.

“Existe um forte movimento de pessoas querendo ficar na própria cidade”, diz o líder de ecossistemas de startups do SP Conecta, Franklin Ribeiro. O programa é uma iniciativa da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe SP), vinculada ao governo do Estado, e auxilia os municípios a criarem seu próprio ecossistema de inovação.

Segundo Ribeiro, com exceção da capital paulista e de Campinas, os municípios de São Paulo ainda estão se estruturando ou, pelo menos, pensando em formas de desenvolver um ecossistema de startups.

O SP Conecta começou como um programa de fomento aos novos ambientes de empresas iniciantes no município de São Paulo. Mas, conforme o Estado foi perceben-do mudanças no interesse de investidores e de empreendedores do interior, a ação passou a ser ampliada para outras cidades.

Depois de três edições na capital, a iniciativa já está se espalhando pelo território estadual, como Barueri e Limeira. Isso porque, para Ribeiro, o setor empresarial está atentando para o potencial de investir nas startups locais ao invés de se deslocar para as grandes cidades.

O gerente do Supera, Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, Eduardo Cicconi também considera que o interior paulista tem melhorado na adoção de tecnologias e se estruturado para fomentar iniciantes.

O Supera tem 79 empresas instaladas atualmente. Destas, 59 estão no processo de incubação, 12 estão atuando no mercado e instaladas em seu Centro de Negócios e oito estão passando por aceleração.

Desafios

No cenário geral, entretanto, Cicconi avalia que ainda há gargalos a serem vencidos. “Alguns municípios menores têm dificuldades em formar mão de obra qualificada para determinados setores, como o de tecnologia da informação (TI)”, explica. Além disso, segundo ele, a conexão entre startups e as grandes empresas ainda é um desafio. Cicconi explica que, nas cidades menores, os empresários ainda estão aprendendo a lidar com a cultura de empresas nascentes.

Assim como Cicconi, o CEO da Pluris Aceleradora, de Ribeirão Preto, Ricardo Agostinho, considera que as pessoas que não moram nas grandes metrópoles estão habituadas a modelos mais tradicionais de empreender e de investir.

Por isso, a captação de investimentos nestes municípios, segundo ele, ainda é pequena. “As cidades maiores acabavam reunindo a maior parte dos recursos de aporte.”

A Pluris está em seu primeiro ciclo de aceleração, com oito empresas sendo apoiadas. O segundo ciclo está com início previsto para agosto.

O CEO da aceleradora Sevna, de Ribeirão Preto, João Geroldo também considera que o acesso ao capital ainda é limitado nos municípios do interior. “Essa ainda é uma questão cultural. Os investidores não estão dispostos a correr riscos e acabam depositando seus recursos nas grandes metrópoles”, explica.

Entretanto, Geroldo projeta uma melhora neste cenário nos próximos anos. Para ele, os municípios do interior oferecem qualidade de vida, boas universidades e profissionais capacitados.

Além disso, o CEO considera que os grandes centros já estão saturados. “Vai ser uma tendência os investidores explorarem outros mercados”, diz. A Sevna tem um portfólio com 26 startups, o valor é estimado em R$ 88 milhões.